O advogado Frederick Wassef, que atua na defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ), declarou que foi surpreendido ao tomar conhecimento de que o ex‑candidato à Presidência deixou o Brasil e negou que a possibilidade de fuga tenha sido discutida em encontro realizado na véspera. “Quero reiterar que eu fui pego de surpresa pelos senhores, pela própria imprensa, com esta história de que Flávio não está aqui”, afirmou a jornalistas. Wassef acrescentou que não pode revelar o conteúdo da conversa mantida com o cliente, mas garantiu que “jamais foi ventilado qualquer coisa nesse sentido”.
Em entrevista, o advogado ressaltou que sua orientação, assim como a de outros clientes, tem sido o cumprimento de decisões judiciais. “Sempre, como advogado de Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro, sempre a minha orientação, assim como os demais clientes, foi de cumprimento de decisão judicial”, declarou. Wassef visitou Flávio em seu condomínio, em Brasília, no fim da tarde de segunda‑feira (26), poucas horas após a intimação da Polícia Federal. Na terça‑feira (27), circularam informações de que teria ajudado o senador a seguir para os Estados Unidos; o advogado negou qualquer participação e pediu cautela na divulgação do caso. Ele também afirmou que o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, foi surpreendido com a saída e que desconhece o paradeiro atual do senador.
A saída do senador ocorre após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que proibiu Flávio de deixar o país e determinou a entrega de todos os seus passaportes em até 24 horas, em razão de risco de fuga apontado pela Polícia Federal. Como os documentos não foram entregues, a PF cancelou os passaportes brasileiros do senador, tanto o comum quanto o diplomático. Além desses, Flávio possui passaporte italiano.
Na madrugada de quarta‑feira (28), autoridades argentinas confirmaram que Flávio, sua esposa e as duas filhas entraram na Argentina pela fronteira com o Brasil às 22h50 de terça‑feira. A Polícia Federal não identificou registro de passagem do senador por nenhum ponto regular de migração brasileiro. Fontes ligadas à corporação indicaram que o destino seria os Estados Unidos. Na mesma noite, o Departamento de Estado dos EUA comunicou que concederá vistos a Flávio e à família.
A partida contraria declarações feitas pelo próprio senador. Em vídeo divulgado na segunda‑feira, Flávio afirmou que nunca havia pensado em deixar o país. Ele foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo (25), e havia anunciado que lideraria a oposição ao quarto mandato do petista.
Ainda nesta quarta‑feira, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca em endereço ligado ao senador em Brasília, autorizado pelo ministro Moraes com aval da Procuradoria‑Geral da República, no âmbito de investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro em negócios com casas de apostas. O caso também envolve o advogado Willer Tomaz, apontado como amigo de Flávio Bolsonaro.
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