Em meio a intensas movimentações políticas e econômicas, o senador Flávio Bolsonaro concedeu entrevista ao The New York Times detalhando sua fuga para os Estados Unidos, enquanto o governo federal realizou reunião sobre medidas fiscais, o IBGE registrou queda na produção industrial e a polícia estadual registrou aumento nas prisões por embriaguez ao volante na Grande Natal.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que organizou sua saída do Brasil de forma independente e que não recebeu auxílio de nenhum governo. Em resposta à pergunta sobre os detalhes da fuga, declarou que levará “para o túmulo” o modo como chegou até a atual situação.
Segundo o parlamentar, a decisão de deixar o país foi tomada espontaneamente com a esposa na manhã seguinte à derrota nas eleições presidenciais. Ao sair da casa do pai, Jair Bolsonaro, foi informado de que teria 24 horas para entregar os passaportes. O ex‑presidente demonstrou preocupação, mas a despedida ocorreu sem a definição de um plano de fuga.
Horas depois, Flávio Bolsonaro publicou vídeo afirmando que entregaria os documentos e que não pretendia deixar o Brasil. Cerca de 42 horas depois, reapareceu em Miami, após percorrer aproximadamente 8 mil quilômetros, com passagens pelo Equador e pela Argentina.
O senador justificou a partida alegando que seria preso caso permanecesse no país. Ele responde a investigações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção, embora não tenha sido acusado formalmente de crime. Também afirmou que considera o Judiciário politicamente motivado e que já esperava uma condenação.
Na entrevista de 75 minutos, contestou o resultado das eleições vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva, classificando a derrota como “matematicamente impossível” e levantando suspeitas de fraude sem apresentar provas. As alegações foram rejeitadas pelo Tribunal Superior Eleitoral e não foram confirmadas por observadores internacionais.
Flávio Bolsonaro agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por permitir sua permanência no país, mas negou ter recebido ajuda de autoridades americanas para organizar a viagem. Segundo o relato, o jato que o levou a Miami teria sido providenciado por um funcionário da Casa Branca e sua entrada nos Estados Unidos teria sido autorizada diretamente por Trump.
O senador declarou que pretende contestar judicialmente a vitória de Lula, embora reconheça as poucas chances de sucesso. Também pretende apoiar aliados políticos, defender a redução da maioridade penal e a anistia para o pai e os condenados pelos atos de 8 de janeiro. Ele e a família poderão permanecer nos Estados Unidos por pelo menos um ano, com status migratório concedido por razões humanitárias, e não descartou voltar à política brasileira, afirmando que se houver novas eleições será candidato novamente.
Em paralelo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que apresentará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva propostas de medidas fiscais após o retorno do presidente da Turquia, onde participará da COP 31. Durigan ressaltou que as sugestões estão em discussão e visam melhorar o equilíbrio das contas públicas, mas que não existe solução simples para o desafio fiscal.
O encontro, realizado no Palácio da Alvorada, contou com a presença do vice‑presidente Geraldo Alckmin, do ex‑ministro Fernando Haddad, do presidente do BNDES Aloizio Mercadante e de economistas como Guido Mantega, Laura Carvalho, Eduardo Moreira e Luciano Coutinho. A reunião faz parte da primeira rodada de consultas de Lula sobre o cenário econômico, e o presidente deve conversar também com economistas de outras correntes e representantes do setor empresarial antes de definir os próximos passos.
Durigan indicou que as propostas poderão ser adotadas nas próximas semanas, mas não espera anúncios imediatos. Novas informações devem surgir após o retorno de Lula da viagem à COP 31. O debate ocorre em meio ao aumento do endividamento público: dados do Banco Central mostram que a dívida bruta do governo subiu de 71,7 % do PIB em dezembro de 2022 para 82,9 % em setembro de 2026, totalizando R$ 11,1 trilhão.
No âmbito da produção industrial, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou que o setor registrou retração de 4,1 % entre maio e setembro, após queda de 0,8 % no último mês. O resultado representa o quarto recuo nos últimos cinco meses e, comparado a setembro de 2025, a produção caiu 2,5 %. A queda afetou três das quatro grandes categorias econômicas e 17 dos 25 ramos pesquisados.
A maior influência negativa veio da produção de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, que recuou 4,2 %, seguida pelos setores de produtos alimentícios (‑1,7 %) e veículos automotores, reboques e carrocerias (‑1,2 %). Em contrapartida, a indústria extrativa avançou 1,7 %, igual ao setor de produtos químicos, e a produção de produtos do fumo registrou alta de 20,3 %. Com o resultado de setembro, o terceiro trimestre terminou com queda de 1,4 % em relação ao mesmo período de 2025.
Na Grande Natal, a Operação Zero Álcool contabilizou 653 detenções por embriaguez ao volante entre janeiro e 3 de novembro de 2026, superando em 33,8 % o total registrado em todo o ano anterior. O número representa o maior da série histórica iniciada em 2016, segundo o Comando de Policiamento Rodoviário Estadual. Extremoz liderou as ocorrências com 191 prisões, seguida por Macaíba (92) e Natal (74); juntos, os três municípios concentram 357 casos, mais da metade do total registrado no período.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Blog do BG. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
