O ex‑banqueiro Daniel Vorcaro compareceu à Polícia Federal em 15 de outubro para prestar depoimento à delegada Janaína Palazzo e negou a prática de fraudes bancárias na operação de tentativa de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB). Durante a oitiva, que durou cerca de duas horas, o empresário afirmou que não há provas de fraude ou de prejuízo e solicitou o arquivamento da investigação, pedindo ainda a realização de perícia externa para comprovar a inexistência de danos.
“Arquive esse processo, porque não tem prova nenhuma, não tem prova de fraude, porque não tem prejuízo. Faça‑se uma perícia. Vamos contratar uma perícia de fora para saber os ativos foram vendidos. Se não tiver tido prejuízo, o que eu fiz?”, questionou Vorcaro. Ele alegou ter atuado apenas para resolver um “problema” na troca de ativos da Tirreno, empresa que a PF descreve como fachada usada para repassar créditos fictícios ao BRB, e afirmou que não cometeu irregularidade que justificasse sua prisão há um ano.
O ex‑banqueiro, que está custodiado no presídio da Papudinha, no Distrito Federal, desde a prisão efetuada em março, pediu a liberação imediata. “Não dá para fazer uma análise sem ver o filme todo. Vamos fazer uma perícia. Me solta, primeiro, para não ficar esperando, deixa eu esperar em casa. Vamos fazer isso para que não se cometa injustiça”, disse. No encerramento do depoimento, Vorcaro elogiou a delegada e solicitou um “voto de confiança”, afirmando: “Eu até te elogiei quando a gente chegou aqui. A senhora está trabalhando muito nesse negócio. Estou pedindo um voto de confiança”.
Na quarta‑feira, 28 de outubro, a Polícia Federal concluiu a primeira fase da Operação Compliance Zero, indiciando Vorcaro e mais 14 investigados. O relatório de indiciamento aponta que Vorcaro teve “participação pessoal, reiterada e diretiva” nas operações com carteiras de créditos irregulares do Banco Master, que teriam causado prejuízos ao BRB. Segundo a PF, na condição de controlador do Banco Master, ele ocupava o centro decisório da estrutura examinada e era o principal beneficiário econômico das operações destinadas à obtenção de liquidez para a instituição.
Os investigados foram acusados dos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A Polícia Federal estimou o prejuízo já apurado em aproximadamente R$ 2,7 bilhões, decorrente, em parte, de carteiras de créditos inexistentes registradas em nome da Tirreno. “Há, portanto, aproximadamente R$ 2,7 bilhões em perdas já formalizadas e reconhecidas, não se tratando de estimativa abstrata ou de risco meramente eventual”, afirmou a PF.
Em resposta, os advogados de Vorcaro declararam que as operações do BRB com a Tirreno não geraram prejuízo ao banco público. Segundo a defesa, um ano após o início das investigações, a PF “se limita a repetir a mesma narrativa” e não avançou nas apurações. “O negócio envolvendo as carteiras da Tirreno não foi concluído. As carteiras foram substituídas por outros ativos, e a troca realizada demonstra que os negócios entre o Banco Master e o BRB geraram resultados positivos para o Banco de Brasília. Nenhuma perícia oficial apurou qualquer prejuízo”, afirmou a defesa.
A divergência entre a conclusão da Polícia Federal e a argumentação da defesa mantém o caso em aberto, enquanto Vorcaro permanece preso e aguarda desdobramentos judiciais.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Agência Brasil. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.