A defesa de Daniel Vorcaro, ex‑controlador do Banco Master, recorreu à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para denunciar supostas violações de direitos humanos e solicitar apoio para a libertação do empresário, que permanece preso desde março. O pedido de soltura, apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 18 de setembro, ainda não foi analisado, segundo os advogados de Vorcaro. Eles alegam que a prisão preventiva não foi reavaliada a cada 90 dias, como exige a legislação, e que a Procuradoria‑Geral da República (PGR) não apresentou denúncia formal contra o réu.

“Até hoje não há denúncia nem ação penal. O indiciamento lançado nesta semana em relatório parcial da Polícia Federal não é acusação formal”, afirmou a defesa, que também questiona a integridade das provas reunidas na investigação. O caso, inicialmente sob relatoria do ministro André Mendonça, passou a ser conduzido pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin. Os procuradores solicitaram a Fachin que autorize Mendonça a analisar o pedido de liberdade.

Em paralelo, a Serasa divulgou, por meio do Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas no Brasil, que o número de brasileiros com contas em atraso atingiu 84,2 milhões em setembro, recorde histórico. O volume representa aumento de 6 % em relação ao mesmo mês de 2025 e supera os 83,9 milhões registrados em agosto. Desde 2020, o total de consumidores negativados cresceu 34,17 %. As dívidas acumuladas somam R$ 597,4 bilhões, alta de 0,9 % em relação a agosto, com média de R$ 7.093,83 por pessoa inadimplente, equivalente a cerca de 4,4 salários‑mínimos.

Os bancos e cartões de crédito concentram 27,16 % do total da dívida, seguidos por financeiras (20,66 %) e contas básicas de água, luz e gás (20,32 %). Entre os inadimplentes, 50,5 % são mulheres e 49,5 % são homens. A faixa etária de 41 a 60 anos representa 35,7 % do total, seguida por 26 a 40 anos (33,2 %). Pessoas acima de 60 anos correspondem a 20,1 % e jovens de 18 a 25 anos, a 11 %.

Na mesma semana, o Banco Central deve anunciar, na quarta‑feira, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre o próximo patamar da taxa Selic. A taxa básica de juros encontra‑se em 13,75 % ao ano, após redução de 0,25 ponto percentual na reunião de setembro. O Comitê avaliará indicadores como inflação, atividade econômica, mercado de trabalho, contas públicas e cenário internacional. O Boletim Focus indica que as instituições financeiras esperam que a Selic encerre 2026 em 13,25 %, embora não haja garantia de nova redução na reunião.

A Selic é o principal instrumento de controle da inflação no país; juros mais altos encarecem o crédito e tendem a conter o consumo, enquanto cortes buscam estimular empréstimos, investimentos e atividade econômica. Uma eventual diminuição da taxa pode beneficiar quem pretende contratar novos financiamentos, mas não altera contratos com juros fixos já firmados. Nos cartões de crédito e no cheque‑especial, as taxas podem ser influenciadas pela Selic, embora permaneçam significativamente superiores ao patamar da taxa básica. Reduções na Selic também reduzem a rentabilidade de aplicações atreladas ao CDI, como CDBs e títulos do Tesouro Selic, bem como de fundos pós‑fixados. Enquanto a Selic permanecer acima de 8,5 % ao ano, a poupança continua rendendo 0,5 % ao mês mais a Taxa Referencial (TR).

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Blog do BG. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.