Senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) foi filmado ao desembarcar no aeroporto de Miami, nos Estados Unidos, e ao entrar em um carro enquanto pessoas ao redor seguravam guarda‑chuvas para impedir a visualização do parlamentar. O registro, divulgado em rede social, mostra o senador cercado por indivíduos que mantêm os objetos acima da cabeça, dificultando a captura de imagens claras.

O deslocamento de Bolsonaro para a América do Norte ocorreu após passagem pela Argentina, onde embarcou em um jato Gulfstream G400, de registro LV‑JQW, pertencente à empresa Baires Fly. A companhia aérea está vinculada ao empresário argentino Sergio Daniel Mastropietro, que responde a investigações por suspeita de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos durante a gestão do presidente Javier Milei. Segundo reportagens da imprensa argentina, o esquema envolveria a movimentação de mais de 7,8 bilhões de pesos argentinos – cerca de R$ 27 milhões – da Agência Nacional de Deficiência (Andis), com indícios de participação da secretária‑geral da Presidência, Karina Milei. Autoridades argentinas identificaram repasses superiores a 95 milhões de pesos para contas da Baires Fly, e apontam que empresas ligadas a Mastropietro teriam sido usadas para dar aparência de legalidade a recursos desviados. Mastropietro também mantém relações empresariais com o ex‑presidente Mauricio Macri e é investigado em outros casos de corrupção, inclusive por suposta associação com o indivíduo Fred Machado, apontado como traficante.

A Polícia Federal brasileira acompanhou a movimentação do senador após receber informações sobre seu trajeto pela região de fronteira entre Brasil e Argentina. Dados do serviço de imigração argentino indicam que o primeiro destino declarado para Flávio Bolsonaro foi Guayaquil, no Equador, de onde ele seguiria para os Estados Unidos, onde reside seu irmão Eduardo Bolsonaro desde 2025.

Em 26 de outubro, a Polícia Federal intimou o senador a entregar seus passaportes até a manhã do dia seguinte, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que também proibiu sua saída do país. O prazo não foi cumprido, e Moraes justificou a medida apontando risco de fuga.

Conforme fonte policial ouvida pela imprensa, Flávio Bolsonaro teria utilizado um passaporte italiano para entrar na Argentina na noite de 27 de outubro, apresentando o documento ao cruzar a fronteira em Puerto Iguazú, cidade vizinha a Foz do Iguaçu (PR). A esposa, Fernanda Bolsonaro, e uma das filhas teriam usado passaportes brasileiros, enquanto a outra filha entrou com carteira de identidade. A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou a entrada do senador e de seus familiares por volta das 22h50, afirmando que não havia impedimentos legais para a travessia, embora não tenha especificado qual documento foi apresentado.

Após a entrada na Argentina, a família embarcou em um avião particular com destino a Guayaquil, antes de prosseguir para os Estados Unidos, onde o senador foi capturado em vídeo ao deixar o aeroporto de Miami sob a proteção dos guarda‑chuvas.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Blog do BG. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.