Na manhã desta quinta‑feira, 29 de outubro, o presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou que não gostou da carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) no dia anterior. Valdemar fez a declaração ao chegar ao Rio de Janeiro para uma visita ao ex‑presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
Flávio Bolsonaro, derrotado pelo candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Luiz Inácio Lula da Silva, na eleição presidencial de 25 de outubro, deixou o Brasil dois dias depois e anunciou, já nos Estados Unidos, que se considerava “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Em versão posterior, o senador passou a se autodenominar “líder do Brasil”.
A carta, considerada golpista pelos críticos, foi publicada em três versões. A primeira continha um brasão com a inscrição “Estados Unidos do Brazil” e a data de 15 de novembro de 1889, referência ao período da Proclamação da República que vigorou até 1968. Quinze minutos após a divulgação, o comunicador Paulo Figueiredo enviou uma segunda versão, corrigindo o brasão para o nome correto do país. Na terceira versão, publicada na rede social X às 17h51, Flávio retirou a referência ao “presidente eleito” e adotou o título “líder do Brasil”.
Nos dois primeiros textos, o senador escreveu: “Dirijo‑me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão”. O conteúdo manteve a mesma estrutura nas três versões, alterando apenas o título e o brasão.
Na carta, Flávio Bolsonaro também qualificou o segundo turno como “fraude eleitoral”, sem apresentar provas, repetindo a narrativa utilizada por seu pai nas eleições de 2022. O senador ainda denunciou a “atuação ilegítima e ilegal do ex‑advogado do Lula” ao prorrogar, por duas horas, o horário de votação definido pelo ministro do STF Cristiano Zanin, após solicitação das duas chapas, PT e PL. Segundo Flávio, a extensão teria acrescentado 10 milhões de votos a Lula, embora a decisão tenha sido solicitada por ambas as campanhas.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reconheceu a vitória de Lula na noite de domingo, com 51,78 % dos votos válidos, contra 48,22 % de Flávio, diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos. O resultado foi confirmado pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, bem como pelos representantes do PL, incluindo o deputado federal Alfredo Gaspar (PL‑AL), vice‑candidato de Flávio.
Em paralelo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou, na quarta‑feira, 28 de outubro, a visita de Valdemar Costa Neto a Jair Bolsonaro. O pedido partiu do ex‑presidente, que alegou “necessidade de diálogo direto” após a partida de Flávio para os Estados Unidos sem a entrega dos passaportes exigidos pelo STF. Em junho, Moraes havia proibido visitas a Bolsonaro com finalidade político‑eleitoral até o término das eleições, medida que incluiu a restrição ao uso de plataformas digitais por parte de Bolsonaro e de terceiros. Na ocasião, Flávio Bolsonaro divulgou uma carta de seu pai nas redes sociais, descumprindo a ordem judicial, o que resultou em uma proibição de 90 dias para que o senador visse o pai.
Ao ser questionado sobre a carta de Flávio, Valdemar Costa Neto respondeu de forma sucinta: “Não gostei”. Em entrevista, acrescentou que pretende “contar muitas novidades” a Bolsonaro e que “vai dar tudo certo”.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Tribuna do Norte. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
