Forças ucranianas concluíram, na última semana, uma operação subterrânea em gasodutos de aproximadamente 15 km na região de Kupiansk, no leste da Ucrânia, que resultou na eliminação de ao menos 100 combatentes russos e na captura de 30 prisioneiros. A ação, denominada Operação Veles, foi realizada pelo 2.º Corpo da Guarda Nacional, conhecido como Khartia, e combinou deslocamento por dutos enterrados a quatro metros de profundidade com combates na superfície.

Desde o início do conflito, tropas russas utilizavam os gasodutos enterrados – com diâmetro interno de cerca de 1,20 metro e paredes de aço com mais de 1,5 centímetro de espessura – para infiltrar-se no território ucraniano, atravessando obstáculos como o rio Oskil por vias submersas e evitando a exposição a drones de vigilância e ataque. Relatos indicam que os russos empregaram pequenos carrinhos e motocicletas adaptadas dentro das galerias para transportar homens e suprimentos entre localidades como Holubivka, Radkivka e Mirove.

A Ucrânia passou a estudar a mesma rede após identificar a presença russa nos dutos. O Khartia recorreu a mapas da infraestrutura e a engenheiros que participaram da construção original para adaptar o sistema ao uso militar, instalando ventilação que permitisse a permanência de soldados no interior dos tubos. Dentro das galerias, combatentes ucranianos enfrentaram os russos com metralhadoras e granadas, cortando paredes dos dutos, escavando túneis paralelos e flanqueando posições adversárias. A tática evitou a destruição total dos dutos, cuja resistência estrutural tornou inviável o uso de explosivos, levando os ucrânicos a bloquear fisicamente as passagens para impedir novas incursões.

A Operação Veles, anunciada em outubro, avançou cerca de 15 km ao longo dos gasodutos até alcançar a retaguarda das posições russas. As autoridades militares ucranianas divulgaram que mais de 30 soldados russos foram capturados e que mais de cem sofreram baixas. O comandante do Corpo Khartia, general de brigada Ihor Obolienskyi, afirmou que a ação foi planejada após a identificação do uso dos corredores subterrâneos pelos russos e que a operação combinou o deslocamento subterrâneo com ações na superfície.

Correspondentes enviados ao local relataram um cenário “pós‑apocalíptico”, com combatentes circulando em veículos elétricos de pequeno porte dentro de tubos de 1,2 metro de diâmetro e enfrentando condições adversas de ventilação e iluminação. A infraestrutura utilizada fazia parte de uma rede de transporte de gás natural que, após o encerramento do contrato com a Gazprom em 1 de janeiro de 2025, ficou inativa; na região de Kupiansk, cerca de 130 km de tubulações permanecem fora de operação.

Analistas militares, entre eles Franz‑Stefan Gady, avaliaram a operação como um sucesso tático que desacelerou o avanço russo, embora não o tenha interrompido completamente. O presidente Volodymyr Zelensky declarou que a ação contribuiu para a defesa da cidade, mas reconheceu que os combates na região continuam. Autoridades ucranianas já estudam a possibilidade de ampliar o uso de estruturas subterrâneas, avaliando custos para construir uma rede de túneis que conecte postos de observação, depósitos de suprimentos e unidades de apoio na retaguarda.

A experiência com os gasodutos demonstra como instalações civis podem ser convertidas em corredores militares em um conflito marcado pela predominância de drones, e indica que a guerra subterrânea pode se tornar uma componente permanente da estratégia de ambos os lados no front oriental.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.