Na quinta‑feira (5), a Justiça Eleitoral, as forças de segurança de Rio Grande do Norte, o Banco Central e a esfera política do Paraguai divulgaram decisões e dados que podem impactar o cenário eleitoral, a segurança no trânsito, o crédito ao consumidor e a estabilidade institucional na América do Sul.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alterou o entendimento sobre fraudes à cota de gênero ao determinar que mulheres eleitas em chapas que apresentaram candidaturas fictícias poderão manter seus mandatos, desde que não tenham participado da irregularidade. O julgamento referiu‑se a um processo que envolveu candidaturas a deputado estadual pelo Podemos no Amapá nas eleições de 2022. Até então, a constatação de candidaturas fictícias para cumprir a cota mínima de 30 % de mulheres resultava na anulação de toda a lista e na cassação dos eleitos. Com a nova regra, o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP), os votos de legenda e os votos nominais das mulheres que não participaram da fraude serão preservados; os votos dos candidatos homens e das candidaturas fictícias serão convertidos em votos de legenda, sem alteração dos quocientes eleitoral e partidário. O entendimento aplica‑se a eleições proporcionais – deputado federal, deputado estadual e vereador – mas a aplicação continuará a ser analisada caso a caso.

O Ministério Público Eleitoral (MPE) apontou que o Podemos registrou três candidatas fictícias no Amapá para atender à cota de gênero em 2022, sem campanha, sem recursos do fundo eleitoral e com votação insignificante, sendo que uma delas não recebeu nenhum voto. O órgão requereu a cassação dos eleitos pela legenda, inclusive da deputada estadual Zeneide Costa, atualmente filiada ao PT. O relator, ministro André Mendonça, reconheceu a fraude e defendeu a cassação dos mandatos dos homens eleitos pelo partido, mas preservou o mandato de Zeneide ao concluir que ela não participou da irregularidade. A maioria dos ministros acompanhou o voto, consolidando o novo entendimento da Corte.

No âmbito da segurança viária, a Operação Zero Álcool registrou 653 detenções por embriaguez ao volante entre janeiro e 3 de novembro de 2026, superando em 33,8 % o total de 488 ocorrências registradas em todo o ano de 2025. O número representa o maior da série histórica iniciada em 2016, segundo o Comando de Policiamento Rodoviário Estadual (CPRE). O município de Extremoz liderou as ocorrências, com 191 prisões, seguido por Macaíba (92) e Natal (74); juntos, os três municípios somam 357 casos, mais da metade do total registrado no período. A série histórica mostrou queda nas ocorrências até 2019, quando foram registradas 25 prisões, e retomada de crescimento a partir de 2022, com 253 detenções naquele ano, 477 em 2023, 349 em 2024 e 488 em 2025. A prisão por embriaguez ao volante ocorre quando o bafômetro indica concentração igual ou superior a 0,33 mg de álcool por litro de ar expirado, já considerado o desconto aplicado ao equipamento.

Dados do Sistema de Informações de Créditos (SCR) do Banco Central revelaram que a inadimplência no crédito avançou quase 40 % entre brasileiros de alta renda em um ano. No mês de agosto, o indicador subiu 38,8 % entre quem recebe de 10 a 20 salários mínimos e 35,8 % entre quem ganha acima de 20 salários mínimos, em comparação com o mesmo período de 2025. Para a faixa de 10 a 20 salários mínimos, a taxa passou de 4,59 % para 6,37 %; na faixa superior a 20 salários mínimos, de 5,53 % para 7,51 %. O SCR considera operações com parcelas atrasadas há mais de 90 dias, medindo a participação dos créditos em atraso no total da carteira, e não o percentual de pessoas inadimplentes. No cartão de crédito, o aumento foi ainda mais acentuado: 50,1 % entre quem recebe de 10 a 20 salários mínimos (de 4,37 % para 6,56 %) e 39,7 % entre quem ganha acima de 20 salários mínimos (de 2,87 % para 4,01 %). O crescimento ocorre em meio a juros elevados; em setembro, a taxa média do rotativo do cartão chegou a 451,7 % ao ano (15,29 % ao mês), enquanto o juros do parcelamento da fatura atingiu 193 % ao ano (9,37 % ao mês).

Também na quinta‑feira, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia ao cargo em meio à crise do banco Ueno e à abertura de um processo de impeachment contra ele. A renúncia ainda precisa ser aceita pelo Congresso, que deverá convocar sessão para analisar o caso. O banco Ueno encerrou suas atividades na terça‑feira (3), após o Banco Central iniciar sua liquidação por problemas nos índices de solvência e empréstimos a empresas vinculadas. O Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez, atendia cerca de 3 milhões de clientes e detinha aproximadamente US$ 850 milhões (cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos, incluindo recursos da Previdência Social. Peña foi acionista do grupo até março de 2025. A oposição o acusa de conflito de interesses, manipulação regulatória e encobrimento de irregularidades pelo Banco Central. Durante a sessão que apresentou a acusação, a deputada Rocío Vallejo afirmou: “Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Blog do BG. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.