O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça‑feira que o país deixará de repassar cerca de US$ 4 bilhões anuais em ajuda a Israel a partir do final de dezembro, mantendo a possibilidade de o aliado adquirir armamentos americanos.

Em entrevista por telefone, Trump afirmou ter chegado a um acordo com o primeiro‑ministro israelense, Benjamin Netanyahu, “meses atrás”, para interromper os pagamentos. Segundo o mandatário, a decisão foi tomada porque Israel “já não depende da assistência” e porque a ajuda tem sido utilizada como argumento pelos adversários do Partido Republicano.

O presidente não especificou qual modalidade de financiamento será afetada nem detalhou o procedimento para a cessação dos repasses. O anúncio coincidiu com o dia das eleições legislativas nos Estados Unidos, que definirão a composição do Congresso para os próximos dois anos.

Atualmente, um memorando de entendimento firmado em 2016 prevê US$ 3,8 bilhões anuais em assistência militar a Israel, totalizando US$ 38 bilhões ao longo de dez anos, com término previsto para 2028. O valor mencionado por Trump difere do montante estabelecido no memorando, e ele não esclareceu como a declaração se relaciona com as obrigações vigentes até 2028.

Apesar da interrupção da ajuda, Trump garantiu que Israel poderá continuar comprando equipamentos militares dos Estados Unidos. O presidente destacou que a assistência governamental difere da aquisição de armamentos com recursos israelenses, afirmando que “eles podem comprar o que quiserem” e que os EUA “fabricam as melhores armas do mundo”.

Israel é o país que mais recebeu assistência externa dos Estados Unidos desde o fim da Segunda Guerra Mundial, com aproximadamente US$ 308 bilhões acumulados, e figura entre os principais compradores de equipamentos militares americanos.

Em declarações anteriores, Netanyahu manifestou a intenção de reduzir a dependência israelense da ajuda externa. Em entrevista concedida em maio, o primeiro‑ministro afirmou que espera que o país se torne independente do apoio militar americano em uma década. Em carta enviada a um congressista dos Estados Unidos em junho, Netanyahu escreveu que chegou o momento de Israel “deixar de ser beneficiário de ajuda e passar a ser parceiro”.

A questão da assistência a Israel tem sido objeto de debate político nos Estados Unidos, sobretudo no contexto da guerra na Faixa de Gaza. Uma pesquisa da Universidade Quinnipiac realizada em junho mostrou que 48 % dos eleitores consideram excessivo o apoio dos EUA a Israel, percentual que sobe para 66 % entre democratas. Em 2017, os mesmos índices eram de 16 % no conjunto dos eleitores e de 20 % entre democratas. Durante a entrevista, Trump afirmou que a assistência se tornou um argumento utilizado por adversários contra os republicanos.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Agora RN. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.