A jogadora de vôlei Tifany Abreu, de 41 anos, afirmou nesta terça‑feira que não abandonará a carreira após o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro revogar a liminar que lhe concedia o direito de atuar na Superliga feminina. A decisão segue a nova política de elegibilidade adotada pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), que restringe a participação nas competições femininas a atletas cujo sexo biológico seja feminino.
Em publicação no Instagram, a atleta do Osasco expressou que, apesar das dificuldades e das tentativas de limitar sua atuação, continuará lutando pelo esporte que escolheu. Ela destacou a importância da coragem, da dignidade e do amor pela profissão como motivadores para resistir a quaisquer obstáculos que possam surgir. Nos comentários, Abreu marcou nomes de autoridades políticas, incluindo o presidente da República, deputados federais e ministros, solicitando que seus seguidores também os mencionassem para dar visibilidade ao caso.
A controvérsia tem origem na decisão da CBV, anunciada em agosto, que estabeleceu que apenas atletas com sexo biológico feminino podem disputar torneios da categoria feminina. A medida foi justificada pela confederação como alinhamento às diretrizes técnicas do Movimento Olímpico, embora as entidades nacionais não sejam obrigadas a seguir os parâmetros do Comitê Olímpico Internacional (COI) ou da Federação Internacional de Vôlei (FIVB).
Em 16 de outubro, o Tribunal de Justiça do Rio concedeu a Abreu uma liminar que a autorizou a integrar a lista de atletas do Osasco, permitindo sua participação na partida da Supercopa contra o Praia Clube e, posteriormente, na estreia da equipe na Superliga contra o Brasília. Contudo, em 24 de outubro, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) manteve a decisão da CBV de impedir a participação da jogadora na temporada, o que resultou na revogação da liminar. O caso ainda será analisado pela justiça comum, e os representantes de Abreu buscam uma nova reconsideração.
Antes da implementação da regra, a atleta conquistou o Campeonato Paulista com o Osasco, competição que recebeu autorização para disputar. Na temporada anterior, foi a única atleta transexual a integrar a Superliga Feminina. Abreu concluiu a transição de gênero e estreou na categoria em 2017, após receber autorização da Federação Internacional de Vôlei. Após passagem pelo vôlei italiano, retornou ao Brasil, iniciou sua trajetória no Sesi‑Bauru e, desde 2021, defende o Osasco, clube com o qual acumula um título da Superliga, quatro Campeonatos Paulistas, um vice‑campeonato sul‑americano e um terceiro lugar no Mundial de Clubes.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Tribuna do Norte. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
