Um relatório da Oxfam divulgado nesta quinta‑feira aponta que a parcela de 0,1 % mais rica da população mundial – cerca de 8 milhões de pessoas – gera mais poluição por carbono do que os 3,5 bilhões de indivíduos mais pobres. O estudo, apresentado antes da Conferência das Partes da ONU (COP31), que acontecerá na Turquia entre 9 e 20 de novembro, indica que as emissões desproporcionais dos super‑ricos impulsionam o colapso climático, ao passo que esses mesmos indivíduos conseguem se proteger das consequências e ainda lucram com a destruição.

Segundo a análise, um indivíduo pertencente ao 0,1 % mais rico contribuiu quase 400 vezes mais para as atuais ondas de calor extremo do que alguém que integra os 50 % mais pobres. A Oxfam estima que apenas um ano de emissões dos 1 % mais ricos provocará 1,9 milhão de mortes adicionais relacionadas ao calor, das quais 78 % ocorrerão em países de renda baixa e média‑baixa, embora esses países respondam por apenas 8 % das emissões globais.

A organização também calcula que as emissões desse grupo gerarão quase US$ 53 trilhões em danos econômicos até 2050 e que até então 1 bilhão de pessoas poderão ser deslocadas pela crise climática, a maioria no Sul Global. Amitabh Behar, diretor executivo internacional da Oxfam, afirmou que “a crise climática é frequentemente descrita como um desafio humano compartilhado. Mas não é. Aqueles que menos contribuíram para causá‑la estão perdendo suas casas, suas colheitas e, cada vez mais, suas vidas”.

O relatório descreve ainda que os super‑ricos podem “comprar sua segurança”, recorrendo a bunkers subterrâneos de alta tecnologia, equipes privadas de combate a incêndios e seguros privados, além de lucrar ativamente com as consequências da poluição que geram. Em declarações complementares, Behar disse que “os super‑ricos estão incendiando o planeta e depois cobrando do resto de nós pelos extintores” e que “eles lucram com a poluição, lucram com o desastre e lucram novamente com a reconstrução”.

A Oxfam lançou o índice “Destroy & Rebuild” (Destruir e Reconstruir), que identificou 217 empresas que simultaneamente atuam em setores que impulsionam o colapso climático e em atividades de preparação, resposta, recuperação e reconstrução pós‑desastres. O documento alerta que desastres climáticos são cada vez mais explorados para promover políticas que aprofundam a desigualdade, como a privatização da ação climática e dos serviços públicos, a apropriação de terras, a desregulamentação e benefícios fiscais concedidos aos mais ricos.

Entre as recomendações apresentadas, a Oxfam propõe que os grandes poluidores paguem e reduzam rapidamente suas emissões por meio de impostos sobre riqueza e renda, tributação de empresas de combustíveis fósseis e impostos punitivos sobre bens de luxo altamente poluentes, como jatos privados. A entidade também pede o aumento do financiamento climático para o Sul Global, priorizando recursos públicos e doações em vez de empréstimos que ampliem o endividamento, e a triplicação dos recursos destinados à adaptação climática até 2035. Por fim, recomenda a garantia de infraestrutura pública resiliente ao clima, o fortalecimento dos serviços públicos e a eliminação do lucro obtido a partir de desastres climáticos, limitando o poder corporativo nas áreas de resposta a emergências, reconstrução e sistemas alimentares durante crises.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Agência Brasil. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.