O fenômeno climático conhecido como Super El Niño pode gerar cerca de 26,7 mil mortes adicionais no Brasil até março, segundo projeção do Climate Impact Lab, centro de pesquisas vinculado à Universidade de Chicago. O estudo estima ainda 857,4 mil óbitos adicionais ligados ao calor extremo em todo o mundo no mesmo período.

A estimativa brasileira coloca o país entre os dez mais vulneráveis, com 19,5 mil mortes previstas para os próximos seis meses. O cálculo compara a mortalidade esperada com a média histórica observada entre 1996 e 2005, método que permite identificar desvios positivos e negativos em relação à linha de base.

De acordo com a ferramenta El Niño Heat Mortality Tracker, o calor extremo já provocou 484,5 mil mortes adicionais entre junho e setembro deste ano. Os cientistas projetam mais 372,9 mil óbitos até março, totalizando o número global apontado pelo Climate Impact Lab.

No cenário global, Índia, China e Nigéria concentram mais de um terço das mortes projetadas. A Nigéria lidera o risco para o próximo semestre, com previsão de 56,1 mil óbitos, seguida de perto pela Índia, com 55,2 mil. A Indonésia também aparece entre as áreas mais ameaçadas, com estimativa de 29,3 mil mortes no mesmo intervalo.

O El Niño se caracteriza por elevações da temperatura da superfície do mar no Pacífico tropical e central de, no mínimo, 2 °C acima da média histórica. Esse aquecimento transfere calor para a atmosfera, intensificando chuvas e tempestades em faixas da América do Sul e dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que desencadeia estiagens severas e queimadas em regiões como a Indonésia e o Sul da Ásia.

As projeções foram revisadas para cima após recordes térmicos recentes: agosto registrou as temperaturas mais elevadas já registradas para o mês, enquanto setembro foi o segundo mais quente. Esses valores extremos reforçaram a necessidade de atualizar as estimativas de mortalidade.

Michael Greenstone, cofundador do Climate Impact Lab, destacou que antecipar o impacto letal das ondas de calor constitui ferramenta essencial para que governos e autoridades de saúde identifiquem populações vulneráveis e adotem medidas de mitigação antes da ocorrência de perdas de vidas.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Tribuna do Norte. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.