O 18.º Encontro de Revendedores de Combustíveis do Nordeste (ERCON) encerra nesta sexta‑feira (30) na Arena das Dunas, zona Sul de Natal, com foco na Reforma Tributária e na adaptação das empresas ao fim da escala 6x1, jornada de trabalho que será substituída a partir de 2027. O evento, organizado pelo Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Rio Grande do Norte (Sindipostos‑RN), tem expectativa de reunir cerca de mil participantes.

Além de 27 estandes de empresas parceiras, o ERCON oferece ativações, palestras, painéis, momentos de networking e programação cultural no encerramento. Entre os desafios debatidos está o impacto da mudança na jornada de trabalho para o setor de combustíveis, que pode exigir ajustes operacionais nos postos.

Maxwell Flor, presidente do Sindipostos‑RN, afirmou que a proposta do encontro é abrir espaço para o diálogo diante das transformações que afetam o segmento. “A proposta do ERCON é abrir espaço para o diálogo diante das mudanças que afetam o setor de combustíveis”, disse.

James Thorp Neto, presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), destacou a necessidade de discutir os efeitos do fim da escala 6x1. “A princípio, o que sabemos é que [essa pauta] vai passar por negociações coletivas junto com os sindicatos laborais para vermos algumas flexibilizações possíveis para que os postos consigam cumprir o seu horário de funcionamento”, declarou. A federação mantém contato com seu departamento jurídico para orientar os revendedores na adaptação, acrescentando: “Nós temos muitos postos 24h e queremos buscar alternativas para não impactar o funcionamento”.

Leandro Pinheiro, diretor da Transcopel, empresa expositoras no evento, explicou que a companhia estuda a melhor forma de aplicar a redução da jornada. “Acreditamos que vai existir aumento de custos, com base nos estudos preliminares que realizamos, porque para manter a operação atual de seis dias na semana precisaremos contratar novos colaboradores”, apontou.

Outros temas em pauta foram a renovação da subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel, anunciada pelo Governo Federal na terça‑feira (27), e a atualização anual das alíquotas fixas do ICMS monofásico (ad rem) sobre combustíveis, divulgada pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) e que entrará em vigor em 1º de fevereiro de 2027.

Flor lembrou que, ao longo do ano, o setor também foi impactado pela guerra envolvendo o Irã, que provocou alta do barril de petróleo e oscilações nos preços dos derivados. “O Governo está dando essa subvenção, que hoje já não é suficiente para manter os preços estáveis. O conselho da Petrobras pede para que as empresas reajustem seus preços, mas sabemos que há um lado político e o Governo represa esse reajuste. O cenário é de muita incerteza”, afirmou.

A programação inclui ainda debates sobre a diversificação dos negócios nos postos de combustíveis. Segundo Flor, “hoje o posto tem que oferecer uma ilha de serviços. O posto que trabalha apenas com gasolina não vai rentabilizar, então é preciso outros negócios atrelados ao ponto do estabelecimento para conseguir rentabilizar melhor a atividade”.

Em relação à Reforma Tributária, Thorp Neto apontou como principal expectativa a adoção da cobrança monofásica sobre o etanol, modelo já aplicado à gasolina e ao diesel desde 2023. “Nós defendemos que isso seja antecipado e implementado o quanto antes”, declarou, ressaltando que a regra prevê a tributação em apenas uma etapa da cadeia de comercialização, o que pode ampliar a competitividade do produto no mercado nacional.

O ERCON segue com debates e sessões de networking, enquanto o setor de combustíveis busca estratégias para enfrentar as mudanças regulatórias, a nova jornada de trabalho e a volatilidade dos preços.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Tribuna do Norte. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.