Na manhã de 2 de novembro de 2026, o Cemitério Campo da Esperança, em Brasília, recebeu diversas pessoas que cumpriram rituais de homenagem a familiares falecidos, coincidindo com a data de Finados.
Gorete Nascimento, de 71 anos, saiu de casa antes das 7 h em Cidade Ocidental, a cerca de 47 km da capital, para seguir o costume que mantém há 32 anos. Ao chegar, trouxe flores e produtos de limpeza para deixar o mármore da lápide dos pais e das três irmãs que jazem no local. Enquanto mostrava fotografias dos entes queridos, relatou a história de cada um e comentou que uma das irmãs completará 86 anos em 6 de novembro. A visita também foi motivada pela impossibilidade de se despedir adequadamente de Angelita, falecida no início da pandemia. “Venho aqui sempre no dia de finados e também no aniversário de cada um porque sinto muita saudade deles. E para homenagear minha irmã, que também nunca deixava de vir aqui nessa data”, explicou.
Neusa Maria Nora dirigiu‑se à ala nova do cemitério, onde estão sepultados seus sogros. No local, apenas uma pequena placa com nome, foto e um candelabro para velas é permitida. Ela relatou que rezou pelos falecidos, depois sentou‑se em um banco à sombra e observou o ambiente. “Eu gosto de vir aqui e me lembrar que rico ou pobre, todos vamos terminar no mesmo lugar. Acho que as pessoas deveriam vir mais ao cemitério”, afirmou.
Marcelo Oliveira chegou com flores destinadas ao pai e disse que costuma visitar o Campo da Esperança várias vezes ao ano, como forma de interromper a rotina e permitir que as lembranças surgam. Na visita de hoje, também trouxe flores para a mãe e a irmã; o irmão mais velho não pôde comparecer. “Ele nunca vem, diz que não consegue, fica muito emocionado”, comentou.
A tradição do Dia de Finados chegou ao Brasil com os colonizadores portugueses católicos. A prática tem origem atribuída ao monge beneditino Odilo de Cluny, que, em 998, estabeleceu o dia 2 de novembro como momento de oração pelas almas dos falecidos, um dia após a Festa de Todos os Santos. Embora tenha raízes católicas, a data também é observada por cristãos protestantes e por adeptos de religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda, que realizam rituais entre 1 e 2 de novembro em homenagem aos ancestrais. O feriado nacional foi oficializado em dezembro de 2002, por meio da Lei 10.607/2002, proposta então pela deputada federal Vanessa Grazziotin (PCdoB‑AM).
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Agência Brasil. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.