O presidente do Paraguai, Santiago Peña, entregou sua renúncia nesta quinta‑feira, 5 de novembro, após a intensificação de pedidos de impeachment motivados pela crise desencadeada pelo colapso do Ueno Bank, maior banco digital do país. A carta de renúncia será analisada pelo Congresso, que precisa aprovar o documento para que a saída do mandatário seja efetivada.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Peña explicou que a decisão foi tomada em prol da estabilidade nacional, da paz social e da preservação das instituições democráticas. O presidente afirmou que nenhum cargo pode se sobrepor ao bem‑estar da nação, pediu desculpas por eventuais falhas e destacou a importância de garantir a devolução dos recursos depositados pelos cidadãos, bem como o cumprimento da finalidade do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD) e a proteção dos fundos públicos.

Na quarta‑feira anterior, Peña sancionou uma lei aprovada em regime de urgência pelo Congresso, que estabelece a liberação dos recursos retidos de milhares de clientes do Ueno Bank em prazo mínimo de 24 horas, incluindo a antecipação de recursos do FGD. A medida foi adotada após a intervenção no banco, que havia sido ordenada pelo Banco Central do Paraguai (BCP) ao detectar que seu índice de solvência estava abaixo da metade do mínimo exigido.

A Câmara dos Deputados realizou duas sessões extraordinárias nesta quinta‑feira para deliberar sobre a abertura de processos de impeachment contra o presidente e o vice‑presidente Pedro Alliana. Com a renúncia de Peña, a casa suspendeu temporariamente a tramitação do processo contra ele e concentrou a discussão sobre a proposta contra Alliana. Ao final, a Câmara rejeitou o pedido de impeachment ao vice‑presidente, com 48 votos contra e 30 a favor, mantendo Alliana como sucessor imediato, caso o Congresso aceite formalmente a renúncia de Peña.

Paralelamente, a Câmara aprovou por unanimidade a abertura do processo de impeachment contra o presidente, encaminhando a denúncia ao Senado. O Congresso Nacional deve realizar, a partir das 17 horas, uma sessão extraordinária bicameral para deliberar sobre a carta de renúncia apresentada por Peña. Ambas as propostas de impeachment estavam relacionadas à crise do Ueno Bank e foram apresentadas por diversos deputados.

Peña assumiu a presidência em 15 de agosto de 2023, após vencer as eleições de abril daquele ano, com mandato previsto para terminar em 2028. Antes da renúncia, Horacio Cartes, ex‑presidente da República e atual dirigente da Associação Nacional Republicana (ANR), manifestou apoio ao impeachment do mandatário. A crise bancária aumentou a pressão sobre Peña, que foi sócio do Grupo Vázquez, conglomerado que controla o Ueno Bank, até março de 2025, período em que já exercia a presidência. O BCP, por sua vez, havia determinado a resolução ou o fechamento do banco no início da semana, após constatar a grave deterioração de sua solvência. O Ueno Bank atendia 2,9 milhões de clientes em um país com 6,1 milhões de habitantes. Na mesma semana, Carlos Carvallo, ex‑presidente do Banco Central, renunciou ao cargo; ele havia sido diretor da Financiera Ueno, empresa que deu origem ao banco atualmente sob intervenção.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.