O livro *Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio*, de Ruy Castro, foi eleito Livro do Ano no Prêmio Jabuti 2026, marcando a segunda vitória consecutiva do autor na categoria principal do certame. A premiação ocorreu na noite de 27 de outubro, durante a 68ª edição do Jabuti, na Sala São Paulo. Castro não compareceu ao evento por questões de saúde, conforme informado durante a cerimônia.
A obra, publicada pela Companhia das Letras, reconstrói o Rio de Janeiro entre 1935 e 1945, demonstrando como os acontecimentos da Europa influenciaram a vida cotidiana da cidade. Além do título de Livro do Ano, *Trincheira tropical* também recebeu o Jabuti na categoria Biografia e Reportagem. No ano anterior, Ruy Castro havia sido premiado na mesma categoria com *O Ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim*, coletânea de textos sobre o compositor.
Nascido em 1948, em Caratinga (MG), o escritor iniciou a carreira como repórter em 1967 e, a partir de 1990, passou a dedicar-se à produção de livros. É reconhecido pelas biografias de figuras como Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda, bem como por reconstituições históricas sobre a Bossa Nova e o Rio de Janeiro dos anos 1920.
Na mesma noite, a escritora Eliana Alves Cruz foi laureada na categoria Romance Literário com o romance *Meridiana*. Em discurso, a autora descreveu o prêmio como “um momento de muita alegria e realização” e destacou a importância da obra ao retratar a ascensão social e a busca de pertencimento de uma família negra no Brasil contemporâneo. Ela analisou o fenômeno da nova classe média, apontando o “limbo” vivido por famílias que migram de condições mais precárias para uma posição econômica intermediária.
A 68ª edição do Jabuti também inaugurou a categoria Incentivo à Leitura – Cultura Digital, destinada a criadores de conteúdo em plataformas digitais que promovem o livro e estimulam a leitura. Pedro Pacífico, responsável pelo canal Bookster, venceu a nova categoria e recebeu a estatueta das mãos do jogador de futebol Gustavo Scarpa, que tem divulgado suas leituras nas redes sociais. A categoria recebeu 402 indicações válidas.
O Prêmio Jabuti, promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), reconheceu vencedores em 23 categorias, além do Livro do Ano, distribuídas em quatro eixos: Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação. No total, foram registradas 4 675 inscrições de obras e projetos. Cada vencedor recebeu, além da estatueta, um prêmio de R$ 5 mil por categoria.
A escritora Lygia Bojunga foi homenageada como Personalidade Literária da 68ª edição. Nascida em Pelotas (RS) em 1932, Bojunga estreou na literatura em 1972 com *Os Colegas* e é conhecida por obras como *Angélica*, *Corda Bamba* e *A Bolsa Amarela*, esta última celebrando 50 anos em 2026. Ela enviou uma mensagem de agradecimento e uma carta escrita à mão, na qual descreveu a homenagem como “um belo incentivo”. A escritora e psicanalista Ninfa Parreiras representou Bojunga durante a cerimônia.
A lista completa dos vencedores está disponível no site oficial do Prêmio Jabuti. Entre os finalistas, destacam‑se os títulos *Massaranduba*, de Abáz (Senac Rio); *Viagem no país da crônica*, de Humberto Werneck (Tinta‑da‑China Brasil); e *História a que ninguém deu nome*, de Juliana Cajives (Mormaço Editorial).
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Agência Brasil. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.