O senador Rogério Marinho (PL‑RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), afirmou nesta quarta‑feira (28) que não há provas de fraude nas eleições presidenciais de 2022, após a divulgação de uma carta escrita pelo candidato derrotado que alegava ter sido “presidente eleito” e que foi editada para “líder do Brasil” antes de ser removida da rede social X.

A primeira versão da carta, publicada no X, continha a frase “verdadeiro presidente eleito do país”. Cerca de trinta minutos depois, o documento foi apagado e substituído por uma segunda versão que retirou a expressão “presidente eleito”, passando a apresentar Flávio Bolsonaro como “líder do Brasil”. Em coletiva de imprensa no Senado, Marinho descreveu o texto como “carta oficial” e destacou que Flávio, pelo número de votos obtido e pelo papel desempenhado nas eleições, representa “a maior expressão da direita no Brasil”. O senador sugeriu que a mudança de termos poderia ter sido causada por “algum problema na confecção da carta”.

Questionado sobre a alegação de fraude eleitoral presente na carta, Marinho reconheceu a ausência de evidências: “O PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há provas nesse sentido”. Segundo o senador, a acusação de Flávio seria um “desabafo” decorrente da decisão de deixar o país, caracterizando‑o como “exilado”, embora a saída tenha sido voluntária e não decorrente de ordem de prisão.

Flávio Bolsonaro, que partiu para os Estados Unidos em um avião de luxo fretado a partir da Argentina com apoio do governo argentino, tinha apenas uma ordem judicial que exigia a entrega de seus passaportes à Polícia Federal. Em comunicado distribuído à imprensa, o senador afirmou que tal impedimento tornaria inviável o exercício da liderança da oposição no território nacional: “Aqui no Brasil é impossível, pelo menos pelos sinais que estavam sendo demonstrados, que ele pudesse exercer esse papel”.

Em nota, Flávio declarou que continuará a liderar a oposição a partir dos Estados Unidos e que assumirá riscos que parlamentares eleitos do PL não podem correr. O senador Marinho ressaltou que a decisão de Flávio de se exilar impede a atuação política no Brasil.

O candidato também está sob investigação. Ele é suspeito, ao lado do advogado Willer Tomaz, de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas e é alvo de outro inquérito que apura o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de seu pai. O mandato de Flávio no Senado termina no próximo ano, quando perderá o foro privilegiado e a imunidade parlamentar.

Em relação à declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que não intervirá na questão da carta, Marinho manifestou que, embora Trump tenha legitimidade para opinar sobre política internacional, “cabe ao Brasil resolver os próprios problemas” e esperou que não houvesse intervenção externa no processo interno brasileiro.

A carta de Flávio Bolsonaro acusa a eleição de 2022 de ter sido fraudada e critica a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin, de estender o horário de votação até as 19h, medida atendida a pedido dos partidos PL e PT. No segundo turno, realizado no domingo (25), Luiz Inácio Lula da Silva recebeu 64 milhões de votos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve pouco mais de 59 milhões. A extensão de duas horas acrescentou 34.393 votos ao total, em um eleitorado de aproximadamente 158,7 milhões de eleitores aptos a votar, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

As alegações de fraude, apresentadas sem qualquer prova, contrariam a apuração oficial e o reconhecimento do pleito pelo TSE, pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e por líderes de diversos países. O próprio Partido Liberal, ao qual Flávio pertence, reconheceu a vitória de Lula nas urnas.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Tribuna do Norte. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.