O Rio Grande do Norte registrou, segundo o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) do Ministério da Saúde, o maior índice de excesso de peso entre adultos acompanhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com 75,5% da população monitorada acima do peso considerado adequado. O percentual inclui tanto casos de sobrepeso quanto de obesidade. Na sequência do ranking nacional, aparecem o Amapá, com 74,5%, e São Paulo, com 74,3%.

Os dados apontam que o avanço da obesidade é uma tendência em todo o país. Em dez anos, o número de adultos com obesidade acompanhados pelo Sisvan aumentou de 3,09 milhões em 2016 para 11,12 milhões em 2026, representando um crescimento de 259%. Atualmente, 36,4% dos adultos monitorados pelo sistema apresentam obesidade, e, pela primeira vez, o número de pessoas nessa condição supera o de indivíduos com sobrepeso nos registros nacionais.

Somadas, as duas condições atingem 21,88 milhões de brasileiros acompanhados pelo Sisvan, o que corresponde a 71,5% do público adulto monitorado. Em 24 das 27 unidades da Federação, o número de adultos com obesidade na atenção básica já supera o de pessoas com peso considerado adequado. Em 18 estados, pelo menos 70% dos monitorados apresentam excesso de peso.

O Rio Grande do Sul registra os maiores percentuais de obesidade, com 42,6%, e de excesso de peso, com 75,9%. São Paulo aparece em seguida no índice de obesidade, com 40,5%, seguido pelo Rio de Janeiro, com 40,1%. Em relação ao sobrepeso, o número de adultos acompanhados pelo Sisvan passou de aproximadamente 4,19 milhões em 2016 para 10,76 milhões em 2026, alta de 156,8%.

O endocrinologista Bruno Halpern, presidente da Federação Mundial da Obesidade e vice‑presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), destacou dificuldades no atendimento a pessoas com obesidade na rede pública. Segundo ele, a falta de medicamentos, a capacitação insuficiente dos profissionais de saúde e a ausência de um protocolo unificado para o tratamento clínico do excesso de peso comprometem a eficácia das intervenções. Halpern também apontou que o acesso à cirurgia bariátrica é desigual entre as regiões do país, marcado por longas filas de espera, e que os pacientes submetidos ao procedimento enfrentam desafios no acompanhamento pós‑operatório, incluindo a falta de fornecimento regular de suplementos polivitamínicos.

O especialista ressaltou que a obesidade é uma doença crônica associada a mais de 240 condições de saúde, entre elas diferentes tipos de câncer e problemas cardiovasculares. Para enfrentar o problema, defende a adoção simultânea de ações de prevenção e tratamento, como o incentivo ao consumo de alimentos naturais, a redução da presença de ultraprocessados na alimentação e a estruturação de redes de atendimento que garantam acompanhamento adequado aos pacientes.

As dificuldades no combate à obesidade foram debatidas durante o XVI Congresso Latino‑Americano de Obesidade, realizado entre 28 e 31 de outubro, em Salvador. No evento, foram apresentados dados de um estudo da Federação Mundial da Obesidade sobre políticas públicas e tratamento em diferentes países, reforçando a necessidade de estratégias integradas para conter a expansão da doença no Brasil.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de 98 FM. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.