Um homem identificado como ex‑integrante do Mossad, serviço de inteligência de Israel, estava em uma das vans que cruzaram a fronteira entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú (Argentina) na noite em que o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) deixou a América do Sul rumo aos Estados Unidos, informou reportagem divulgada no domingo, 1º de novembro. O israelense, Menachem Booky Halevy, entrou no Brasil em 19 de outubro pelo aeroporto de Guarulhos (SP) e viajava acompanhado do advogado Roberto Jorge Alexandre, que já atuou na defesa do ex‑presidente Jair Bolsonaro. A matéria ressalta que os elementos reunidos não comprovam que Halevy tenha organizado ou facilitado a viagem do senador.
Flávio Bolsonaro recusou entrevista e criticou a emissora antes da exibição. Em nota publicada no X, o senador afirmou que aceitaria falar apenas se a entrevista fosse exibida na íntegra, condição que, segundo ele, não foi aceita. “Se o maior grupo de comunicação do Brasil está com MEDO, não tem a menor condição moral de me julgar”, escreveu, acrescentando que não fugiu: “Não saí do Brasil, saí pelo Brasil!”.
A travessia da fronteira ocorreu na noite de terça‑feira, 27 de outubro, menos de 48 horas depois da derrota de Flávio para o presidente Luiz Inácio Lula. Duas vans da mesma empresa de turismo de Foz do Iguaçu passaram pela Ponte Internacional Tancredo Neves; a van que levava Halevy cruzou sete minutos antes da outra. No endereço cadastrado da empresa constava apenas um estacionamento.
O sistema migratório argentino registrou o nome de Flávio Bolsonaro três vezes, sempre associado à mesma van: às 22h37, com passaporte italiano; às 22h40, com carteira de motorista; e às 23h11, com passaporte brasileiro. Os dois registros feitos com documentos brasileiros foram cancelados, permanecendo válida apenas a entrada com o passaporte italiano. A esposa do senador, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas viajaram de avião de Brasília a Cascavel (PR) e seguiram por terra até a fronteira.
Neri Luiz Dala Corte, motorista da van em que estava Halevy, declarou ter sido contratado para buscar dois homens em Foz do Iguaçu e levá‑los ao aeroporto de Puerto Iguazú, e negou ter visto integrantes da família Bolsonaro. Não foram localizadas manifestações públicas de Halevy nem de Roberto Jorge Alexandre sobre o caso.
Uma das linhas de investigação aponta que Flávio deixou Brasília às 5h05 do mesmo dia 27, a bordo de um jato Cessna Citation Excel que pousou em San Fernando, na região de Buenos Aires, às 8h40. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), a aeronave pertence a uma empresa cujas sócias são a irmã e a esposa do advogado Willer Tomaz, amigo do senador. A assessoria de Tomaz afirmou que a informação de que aviões dele ou de empresas da família tenham sido usados por Flávio é falsa.
A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou que a família Bolsonaro entrou no país por terra em Puerto Iguazú e embarcou em um jato particular. O Gulfstream G400 da empresa argentina Baires Fly decolou pouco depois da meia‑noite, fez escala para reabastecimento em Guayaquil, no Equador, e pousou próximo a Miami na manhã de 28 de outubro, sem atravessar o espaço aéreo brasileiro. Na Argentina, a deputada Marcela Pagano solicitou explicações sobre os procedimentos de imigração, e o governo de Javier Milei informou que entregou a documentação à Justiça.
A Polícia Federal investiga se Flávio deixou o Brasil no jatinho ligado a Tomaz. O senador e o advogado Roberto Jorge Alexandre são alvos de inquérito no Supremo Tribunal Federal, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, que apura suspeita de lavagem de dinheiro ligada a casas de apostas e proibiu os dois de manter contato. Não há mandado de prisão contra Flávio, que não é considerado foragido.
Frederick Wassef, advogado do senador, afirmou que nenhuma informação sobre a viagem é oficial ou foi confirmada pelo próprio Flávio. Segundo ele, o senador não fugiu, não responde a processo criminal, não foi indiciado nem condenado, e a apuração em curso envolve terceiros e está ainda em fase inicial. Flávio Bolsonaro anunciou que pretende conceder entrevistas a veículos brasileiros e estrangeiros nos próximos dias.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Agora RN. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
