O presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou sua renúncia nesta quinta‑feira (5), após perder o apoio do Partido Colorado e enfrentar a perspectiva de um processo de impeachment no Congresso, desencadeado pela intervenção no Ueno Bank devido a problemas de solvência.
A crise que culminou na renúncia tem origem no fechamento do Ueno Bank, determinado pelo Banco Central do Paraguai na terça‑feira após a instituição registrar índice de solvência abaixo do mínimo exigido. O banco, que atendia cerca de três milhões de clientes, administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo verbas previdenciárias, de saúde e depósitos de empresas estatais.
A perda de apoio partidário ocorreu quando Horacio Cartes, ex‑presidente (2013‑2018) e mentor político de Peña, retirou publicamente seu respaldo ao presidente e passou a apoiar o processo de impeachment. O Partido Colorado, que governa o país desde 1947 com apenas uma interrupção entre 2008 e 2013, viu seu líder de governo abandonar o cargo antes do término previsto para 2028.
Parlamentares deverão se reunir na tarde desta quinta‑feira para decidir se aceitam a renúncia de Peña, encerrando antecipadamente seu mandato.
Peña, de 47 anos, chegou à Presidência em 2023 como símbolo de renovação. Seu governo foi marcado pela vitória nas eleições gerais de 30 de abril de 2023, quando obteve 42,74 % dos votos em chapa com o vice‑presidente Pedro Alliana.
Na trajetória política, Peña integrou, na juventude, as fileiras do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) antes de ingressar no Partido Colorado em 2016, com o apoio de Cartes. Como ministro da Fazenda de Cartes, registrou sua primeira experiência eleitoral ao lançar pré‑candidatura à Presidência nas internas de 2017, concorrendo pelo movimento Honor Colorado, mas foi derrotado por Mario Abdo Benítez. Em dezembro de 2022, com seis anos de filiação ao Colorado, conquistou a candidatura presidencial da legenda e venceu as eleições do ano seguinte.
Nascido em 16 de novembro de 1978 em Assunção, Peña tornou‑se pai aos 17 anos e casou‑se aos 19 com Letícia Ocampos, com quem tem dois filhos. Formou‑se em Economia na Universidade Católica de Assunção, iniciou a carreira no Banco Central do Paraguai em 2000, concluiu mestrado em Administração Pública na Universidade Columbia, nos Estados Unidos, e trabalhou de 2009 a 2012 no departamento da África do Fundo Monetário Internacional. Retornou ao Paraguai, reassumiu funções no Banco Central e, em janeiro de 2015, foi nomeado ministro da Fazenda pelo então presidente Cartes, aos 36 anos.
Durante a crise do Ueno Bank, a participação de Peña como acionista da Ueno Holding – conglomerado do Grupo Vázquez que controla o banco – foi destacada pelos parlamentares como argumento central para o impeachment. A participação foi vendida em março de 2025.
Na política externa, Peña estreitou laços com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alinhando o Paraguai a iniciativas da administração americana para a região. Em março de 2026, participou da cúpula do Escudo das Américas, realizada em Miami, e assinou a criação da Coalizão Anticarteis das Américas, incorporando o país à aliança regional de segurança.
O mandato de Peña também foi alvo de críticas pela frequência de viagens oficiais, rotuladas pela imprensa como “Santi Tour”. Ao longo do governo, realizou mais de setenta deslocamentos ao exterior, justificando-os como parte do objetivo de transformar o Paraguai no país mais desenvolvido da América Latina.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
