James Talarico, candidato democrata ao Senado dos Estados Unidos, lidera as pesquisas contra o procurador‑geral do Texas, Ken Paxton, na disputa de um dos dois assentos da câmara alta que o estado tem, com votação marcada para 3 de novembro. A vitória de Talarico representaria a primeira vez desde 1988 – ano anterior ao seu nascimento – em que o Texas elegeria um senador que não fosse do Partido Republicano. O cargo, considerado decisivo para a composição da maioria no Congresso nas eleições de meio de mandato, pode influenciar a permanência do bloco liderado por Donald Trump nas 435 cadeiras da Câmara e nos 35 assentos do Senado em disputa.
Talarico tem formação como professor de inglês no ensino fundamental, atuou como diretor executivo de uma organização sem fins lucrativos voltada à educação e é seminarista presbiteriano. Desde 2018 ocupa a vaga de deputado estadual no Texas. Seu avô materno, Jimmy Causey, foi pregador batista em igrejas do sul do estado, fato que, segundo analistas, pode torná‑lo mais aceitável para eleitores conservadores.
O candidato democrata defende a legalização do aborto, posição que gera desconforto em um estado onde a maioria da população tem visões conservadoras sobre o tema. Em uma roda de conversa promovida pela CNN, uma eleitora católica questionou Talarico sobre a postura. Ele respondeu que a Bíblia não trata diretamente da questão, que diferentes interpretações são possíveis e que, ao mesmo tempo, é necessário trabalhar para reduzir gestações não planejadas e, consequentemente, o número de abortos. A eleitora citou o mandamento “não matarás”, ao que Talarico afirmou que divergências de conclusão são aceitáveis.
Entre as propostas de campanha, Talarico já havia defendido a legalização da maconha para uso recreativo no Texas, medida que não avançou no legislativo estadual e que pretende levar ao Congresso. Também propõe revogar os cortes de impostos concedidos ao 1 % mais rico da população americana e eliminar incentivos fiscais para a construção de novos data centers. Na política externa, manifestou oposição à expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia e, ao comentar a guerra na Faixa de Gaza, reconheceu o direito de Israel à autodefesa, mas condenou bombardeios civis, restrição de ajuda humanitária e o uso de fome como tática de guerra. Sobre o Irã, afirmou que é preciso impedir que o regime obtenha armas nucleares, porém sem iniciar uma guerra prolongada.
Em entrevista à Fox News, Talarico se posicionou contra a participação de atletas transgêneros em competições femininas caso isso comprometa a segurança ou a justiça das provas. Quanto às mudanças climáticas, defende a manutenção de todas as fontes de energia, inclusive petróleo e gás, argumentando que esses setores geram empregos essenciais para muitas famílias. Em conversa com o cantor Bobby Pulido, ressaltou que eliminar o setor energético seria prejudicial e que os democratas precisam lutar contra essa ideia dentro do próprio partido.
Donald Trump, que tem usado a candidatura de Talarico como alvo, publicou mensagem na rede Truth Social após o candidato se ausentar da campanha por mais de uma semana devido a uma gripe. Trump chamou Talarico de “James Talafreako”, descrevendo‑o como “lunático radical de esquerda e vegano”, em referência ao sobrenome do democrata e ao termo “freak”. Em evento transmitido pela CNN, Talarico minimizou o ataque, afirmando que “teorias da conspiração não colocam comida na mesa”.
Ken Paxton, o concorrente republicano, enfrenta resistência dentro de seu próprio partido. Ele foi acusado de fraude em valores mobiliários por supostamente omitir remuneração ao promover ações de uma empresa de tecnologia; Paxton negou as acusações, classificando‑as de perseguição política, e chegou a um acordo em 2024 que encerrou as acusações criminais estaduais sem admissão de culpa. Ex‑assessores também o acusaram de usar o cargo para favorecer o empresário e doador de campanha Nate Paul; Paxton rejeitou as alegações, foi absolvido em 2023 pelo Senado estadual em processo de impeachment por abuso de poder e suspeita de suborno, e, em 2025, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos decidiu não apresentar acusações criminais federais relacionadas ao caso.
Mais recentemente, a atuação do gabinete de Paxton em um caso de abuso sexual infantil em Waco gerou críticas. O julgamento terminou sem consenso entre os jurados, a vítima recusou novo depoimento e, embora o acordo inicial previra apenas um dia de prisão, o juiz impôs pena de 60 dias.
A disputa entre Talarico e Paxton ocorre em um cenário de intensas controvérsias e ataques políticos, e o resultado pode determinar se os republicanos manterão a maioria no Congresso nas eleições de meio de mandato deste ano.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
