A democrata de 52 anos, Gina Hinojosa, venceu a eleição para governador do Texas nesta terça‑feira (3) ao derrotar o republicano Greg Abbott, tornando‑se a primeira mulher latina a ocupar o cargo e encerrando mais de três décadas de domínio republicano no governo estadual.
Hinojosa, deputada estadual desde 2017, integrou a ala mais à esquerda do Partido Democrata texano. Durante sua atuação no Legislativo, votou contra leis que restringiram o aborto, proibiram tratamentos de afirmação de gênero para menores e ampliaram a cooperação das autoridades locais com o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE). O cientista político Mark Jones, da Universidade Rice, classificou‑a entre os parlamentares mais progressistas da Assembleia do Texas ao longo de seus mandatos.
A campanha para o governo, porém, foi marcada por uma mudança de estratégia. Hinojosa passou a concentrar o discurso nas questões econômicas, como custo de vida, educação pública e a influência de grandes empresas sobre o Estado, afastando‑se das chamadas “guerras culturais”. Em entrevista ao *Politico* em setembro, afirmou que o Partido Democrata havia caído na “armadilha das disputas ideológicas” e precisava retomar o foco nas dificuldades econômicas dos americanos. “Não estamos entrando nas guerras culturais. Estamos falando sobre como vamos melhorar a vida das famílias trabalhadoras”, declarou.
No mesmo período, ao participar do Texas Tribune Festival, a candidata rejeitou o rótulo de progressista e passou a se definir como “populista”. Entre as propostas apresentadas, destacou a distribuição de US$ 1.500 a cada família texana, a ser financiada com recursos de um fundo de reserva estadual, medida que ainda depende de aprovação legislativa. Também defendeu a restrição à construção de novos centros de processamento de dados (datacenters de IA) no estado, em razão de reclamações sobre o consumo de energia e água dessas instalações.
Para ampliar a base eleitoral, Hinojosa buscou atrair eleitores independentes e republicanos insatisfeitos com a gestão de Abbott. Em setembro, divulgou uma propaganda que contou com o apoio de Lynn Davenport, eleitora conservadora que votou em Donald Trump e participou da manifestação de 6 de janeiro de 2021 em Washington. Davenport afirmou que, embora fosse conservadora convicta, não poderia apoiar Abbott, acusando o governador de “governar para grandes empresários e bilionários”. A aproximação entre as duas ocorreu em debates sobre educação pública, nos quais ambas se opuseram ao uso de recursos estaduais para financiar escolas privadas.
A campanha também gerou controvérsia ao divulgar, em setembro, um anúncio no qual Hinojosa contou que, há 23 anos, decidiu manter uma gravidez apesar de a filha ter sido diagnosticada com uma doença genética grave e não sobreviver. Católica, a candidata explicou que a decisão foi motivada pelo amor à criança. O anúncio foi criticado por grupos conservadores; John Seago, presidente da Texas Right to Life, classificou a mensagem como “hipócrita” e acusou Hinojosa de tentar parecer contrária ao aborto, embora seu histórico legislativo inclua votos favoráveis ao procedimento. Hinojosa negou a intenção de usar a história como posicionamento anti‑aborto, afirmando que apenas compartilhou sua experiência pessoal.
Em entrevista ao *Politico*, a futura governadora declarou que a legalização do aborto não seria prioridade de seu governo, mas defendeu a retirada de punições criminais contra profissionais que realizam o procedimento. Não prometeu revogar as leis que restringem tratamentos de transição de gênero para menores, apesar de ter votado contra essas medidas enquanto era deputada estadual. Em propaganda eleitoral, respondeu a críticas de Abbott sobre seu histórico progressista afirmando: “meus pronomes são mãe, texana e, em breve, governadora”.
A vitória de Gina Hinojosa representa uma mudança histórica na política texana, ao mesmo tempo em que evidencia a adoção de uma estratégia de campanha centrada em questões econômicas e na busca de apoio além da base tradicionalmente progressista. O próximo passo será a consolidação de seu programa de governo, que ainda depende da aprovação da Assembleia Legislativa.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
