Na manhã de sábado (31), manifestações foram registradas em várias cidades da França após convocação da esquerda radical. O número de participantes foi inferior ao registrado na semana anterior, segundo balanço provisório do Ministério do Interior divulgado até as 18h (horário local). Até o momento, 296 pessoas foram detidas e dez agentes de segurança ficaram feridos; não foram divulgados dados sobre feridos entre os manifestantes.
A queda no número de prisões contrasta com o fim de semana anterior, quando, na noite de sábado (24), o total de detenções chegou a mil e, ao longo de todo o fim de semana, cerca de 2,4 mil pessoas foram apreendidas. As forças de segurança permanecem em alerta durante a madrugada, e nas redes sociais circulam convocações para protestos não autorizados e para atos de violência aproveitando a noite de Halloween.
O governo francês acusou a esquerda radical de incentivar as manifestações e de incitar a violência, anunciando a mobilização de aproximadamente 70 mil agentes de segurança para o fim de semana. Em paralelo, organizações estudantis convocaram novos bloqueios em universidades e escolas de ensino médio a partir de terça‑feira (3). As mobilizações estudantis tiveram início em setembro na região de Paris e, em outubro, evoluíram para episódios de incêndios em escolas, ataques a policiais, depredações e saques a estabelecimentos comerciais.
Após o término das duas semanas de férias de outono, líderes estudantis pediram novas ações para pressionar o governo, que acusam de tentar dividir os estudantes. Na quinta‑feira (5), a convocação foi ampliada para que as organizações estudantis se juntassem à mobilização e à greve promovidas pelos sindicatos. Sabrine Kharbach, porta‑voz da União Estudantil, afirmou que “vê‑se que este governo organiza o caos” e acusou o governo de tentar “desorganizar” os protestos.
Durante o período de férias, o governo utilizou a oportunidade para divulgar mensagens que visavam um retorno tranquilo às aulas na segunda‑feira (2). O ministro da Educação, Édouard Geffray, enviou carta aberta aos estudantes, expressando “profunda confiança” neles e defendendo as medidas anunciadas para atender às reivindicações. Entre as propostas, está a limitação a 28 alunos por turma no segundo ano do ensino médio em metade das escolas menos favorecidas, a partir de setembro de 2027, com expansão prevista para todas as escolas em 2028. Também está prevista a contratação de professores e a substituição da plataforma de admissão ao ensino superior, Parcoursup, em 2028. O governo pretende estudar alterações nos horários escolares, nas pausas para alimentação, nas condições de transporte e na avaliação contínua do ensino médio.
A União Nacional dos Estudantes da França (Unef) calculou que seriam necessários cerca de 10 bilhões de euros para atender às exigências estudantis, incluindo a criação de 250 mil vagas no ensino superior, a contratação de mais docentes e a reforma das escolas. Apesar dos apelos do governo, a União Sindical dos Estudantes do Ensino Médio (USL), responsável pelos bloqueios nas últimas semanas, espera uma retomada “maciça” dos protestos a partir de segunda‑feira, considerando a adesão como termômetro da força do movimento após as férias e as recentes medidas governamentais.
Uma pesquisa realizada pela Odoxa‑Backbone Consulting para o jornal Le Figaro indica que 64 % dos franceses desejam o fim das mobilizações de estudantes universitários e do ensino médio, sinalizando uma mudança na opinião pública. Em pesquisas anteriores, mais de seis em cada dez franceses manifestavam apoio ao movimento dos estudantes do ensino secundário.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
