Cleocimara Reis Gomes, coordenadora do projeto Promotoras Legais Populares Indígenas do Rio Negro, recebeu menção honrosa do Programa “Antes que Aconteça” na noite de 4 de novembro, em Brasília, diante da ministra das Mulheres, Márcia Lopes. O programa, instituído pela Lei 15.398, tem como objetivo valorizar iniciativas de prevenção da violência de gênero em todo o país e concede financiamentos que variam entre R$ 50 mil e R$ 200 mil em oito categorias distintas.

A premiação ocorreu após a longa viagem de Cleocimara até a capital federal. Ela atua em 23 povos e 100 comunidades indígenas localizadas nos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro, no noroeste do Amazonas. Reside na comunidade de Cartucho, composta por cerca de 40 famílias e situada a quatro dias de barco da cidade de São Gabriel da Cachoeira.

Em entrevista, a coordenadora destacou que os índices de violência contra a mulher nas áreas indígenas são elevados, mas permanecem invisíveis devido ao isolamento geográfico. O projeto busca parcerias e recursos para sensibilizar as mulheres sobre seus direitos, reforçando que “é importante que a mulher indígena saiba que não pode viver em cenário de violência”. A iniciativa pretende disseminar a ideia de que a violência não faz parte da cultura indígena.

Cleocimara apontou a ocorrência de violência física, sexual, psicológica e patrimonial, perpetrada tanto por invasores externos quanto por homens indígenas. Ela ressaltou que as denúncias demoram a chegar às autoridades por causa das grandes distâncias entre as comunidades e enfatizou a necessidade de mais equipamentos públicos voltados à prevenção. A coordenadora também relatou pedidos de lideranças femininas indígenas para que homens aliados sejam incluídos nas ações de enfrentamento à violência.

Além do reconhecimento a Cleocimara, o programa “Antes que Aconteça” premiou outros projetos em diferentes regiões. Na categoria “Justiça que acolhe mulheres”, foi escolhido o trabalho da Associação de Pescadores e Marisqueiras de São Félix, na Bahia. A presidente da associação, Cátia Chagas, 58 anos, formou‑se em direito e psicologia para apoiar sua comunidade. O projeto, iniciado em 2012, presta assistência a cerca de 600 mulheres, a maioria mães solo ou jovens mães com vários filhos, oferecendo atendimentos psicológicos, médicos e capacitação. As beneficiárias exercem a pesca principalmente no Rio Paraguaçu.

Outro projeto laureado foi o Dandara, desenvolvido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que atende aproximadamente 500 mulheres quilombolas com cursos realizados nos próprios territórios, promovendo a escuta cidadã. Ana Beatriz Bernardes Nunes, presidente da Associação Estadual das Quilombolas do Rio de Janeiro e representante da comunidade Maria Conga, em Magé, destacou que as mulheres quilombolas são, em sua maioria, as principais administradoras dos territórios e, por isso, enfrentam violência territorial. Ela apontou que essas mulheres são atendidas por um programa de proteção do Estado.

Os reconhecimentos concedidos pelo Programa “Antes que Aconteça” evidenciam a diversidade de estratégias e contextos em que a violência de gênero se manifesta no Brasil, reforçando a necessidade de políticas públicas e recursos que alcancem comunidades afastadas e vulneráveis.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Agência Brasil. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.