Victor da Silva Machado, de 48 anos, transformou a chácara de 10 hectares que herdou de seu pai, no Assentamento Estrela, próximo à BR‑262, em Jaraguari, Mato Grosso do Sul, em uma das principais fontes de renda da família. A propriedade, denominada Rancho Chão Parado, combina cultivo de hortaliças, criação de animais e aproveitamento de frutas do cerrado, e já conta com a participação dos filhos de Victor, que planejam dar continuidade ao negócio nas próximas gerações.

A mudança para o campo ocorreu em 2009, quando Victor, então com 31 anos, deixou a capital Campo Grande e instalou‑se no assentamento com a esposa Ana Paula e os filhos. Até então, sua atividade profissional era urbana, voltada a pequenas reformas, pintura e serviços de elétrica. A decisão foi motivada pela morte, de câncer, do pai, que havia recebido o lote no Assentamento Estrela e desejava construir sua vida no campo. Após o falecimento, Victor assumiu a chácara para dar continuidade ao projeto familiar.

Nos primeiros meses, a família enfrentou dificuldades de infraestrutura. A casa inicial, de madeira e com apenas dois cômodos, não possuía energia elétrica; o abastecimento de água vinha de uma nascente usada pelos animais, enquanto a água potável era comprada em garrafas. As economias da família se esgotaram em cerca de um ano. Cinco anos depois, Victor iniciou a construção de uma residência maior, obra que se estendeu por dez anos até a conclusão da estrutura atual.

A produção agrícola começou com hortaliças como tomate, abobrinha, cheiro‑verde e alface, destinadas à venda na cidade. Paralelamente, o produtor passou a criar porcos. Atualmente, a horta permanece em escala reduzida, mas conta com um sistema hidropônico que permite a produção média de mil pés de alface por mês, complementada, conforme a época, por culturas como agrião. Além das hortaliças, o Rancho Chão Parado cria 15 carneiros, dois porcos e mantém um viveiro de tilápias com cerca de 2 mil exemplares; parte da área é destinada à pastagem.

Uma vez ao ano, a família coleta frutas do cerrado para elaborar licor, comercializado na feira de agricultura familiar realizada ao final do ano. Apesar da diversificação, a horticultura continua sendo o principal gerador de renda. A comercialização evoluiu: de visitas a mercados urbanos, passou a atender a demanda de aproximadamente 300 propriedades da região, além da feira dominical.

A mão de obra da propriedade é majoritariamente familiar. Victor concentra‑se no manejo dos animais, alimentação, cercas e manutenção geral. Ana Paula cuida das tarefas domésticas e auxilia nas atividades rurais quando necessário. A filha mais velha, Joianne, permanece morando na chácara, enquanto o filho mais novo, João Victor Pereira Machado, de 19 anos, trabalha em uma empresa de reflorestamento e colabora nos fins de semana. João começou a trabalhar ao lado do pai aos 13 anos e declara que a rotina no campo foi fundamental para sua formação profissional, afirmando que pretende seguir a atividade rural e investir na chácara.

O apoio institucional chegou por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) de Mato Grosso do Sul. Victor já contava com experiência na produção de hortaliças, mas recebeu orientação sobre controle de pragas e assistência específica para a ovinocultura. O Senar também contribuiu para a estrutura de embarque dos carneiros, que são comercializados para um frigorífico da região.

O nome “Rancho Chão Parado” surgiu de uma brincadeira com o pai, que costumava responder “não tem movimento nenhum aqui, tudo parado” quando Victor perguntava sobre a situação da chácara. Desde então, a família plantou mais de 3 mil árvores, entre palmeiras, coqueiros e espécies frutíferas, que hoje compõem o cenário da propriedade.

Para o futuro, Victor planeja ampliar as atividades de geração de renda. Entre as ideias estão a venda de peixe frito nos fins de semana, a oferta de hospedagem para visitantes da cidade e a comercialização de carneiro assado. Também estão previstos investimentos na infraestrutura, como a reforma da pastagem e a instalação de tela ao longo do perímetro para evitar a fuga dos animais.

Victor avalia que a propriedade representa uma fonte de renda que permite à família viver bem no campo. Seu filho João reforça a importância do legado construído pelo pai, destacando o desejo de perpetuar o trabalho e buscar aprimoramento constante.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.