O presidente do Paraguai, Santiago Peña, permanece no território nacional e deve comparecer ao Senado para exercer o direito de defesa no processo de impeachment aberto nesta quinta‑feira (5). A informação foi confirmada pelo porta‑voz da Presidência, Guillermo Grance, que negou a circulação de rumores de que o chefe de Estado teria viajado para a Argentina.

Grance afirmou a jornalistas que “ele está no país” e reiterou que não há registro de deslocamento do presidente para fora do Paraguai, desmentindo relatos de suposta viagem de avião ou de saída para outro destino. O pronunciamento buscou esclarecer a origem das informações que circulavam nas redes sociais e na imprensa.

Em publicação feita na rede social X, Peña declarou que exercerá seu direito à defesa no julgamento político e que colaborará com as instituições responsáveis pela investigação da crise bancária que desencadeou o processo. O presidente garantiu que fornecerá as informações solicitadas para esclarecer o caso e identificar eventuais responsáveis por irregularidades. Também ressaltou que a discussão sobre sua permanência no cargo não pode impedir a adoção de medidas destinadas a atender as famílias afetadas pelo fechamento do banco.

O Senado iniciou, nesta quinta‑feira, o procedimento de impeachment contra Peña, acusando‑o de mau desempenho de suas funções em razão de supostos vínculos com o Ueno Bank, instituição que recebeu recursos milionários de entidades públicas durante seu governo. A Câmara dos Deputados havia aprovado a acusação por unanimidade. Uma sessão conjunta do Congresso, convocada para votar a renúncia do presidente, foi suspensa por falta de quórum depois que parlamentares governistas deixaram o plenário, impedindo a formalização da saída e a ativação do mecanismo de sucessão.

Segundo o senador governista Derlis Maidana, o processo terá duas etapas: o reconhecimento dos deputados como fiscais da acusação ainda nesta quinta‑feira e a formação do tribunal de julgamento com os senadores, prevista para sexta‑feira (6). Essa sequência define o andamento da análise política que pode culminar na destituição do presidente.

A crise que motivou o impeachment tem origem na intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank. A instituição, que atendia 2,9 milhões de clientes em um país de 6,1 milhões de habitantes, apresentou índice de solvência abaixo de 50 % do mínimo exigido, segundo o regulador. O Banco Central atribuiu a deterioração a ajustes realizados nos demonstrativos financeiros da entidade durante o processo de regularização. A medida bloqueou recursos de clientes e de entidades públicas, gerando preocupação quanto aos fundos de aposentadoria depositados no banco.

Caso seja destituído pelo Congresso, Peña perderá as prerrogativas de senador vitalício. Se a renúncia fosse formalizada, ele manteria esses direitos, o que tem sido objeto de debate entre os parlamentares enquanto o processo de impeachment avança.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.