A Polícia Federal abriu investigação para apurar as circunstâncias em que o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) teria deixado o país após descumprir determinações do Supremo Tribunal Federal relativas à entrega de passaportes. Em nota divulgada nesta quarta‑feira (28), a corporação afirmou que o simples não cumprimento não caracteriza a condição de foragido nem autoriza a prisão do parlamentar.
O pedido de medidas cautelares foi apresentado ao STF em 25 de outubro, após a identificação de risco de saída do senador do território nacional. Entre as restrições solicitadas estavam a apreensão dos passaportes, a proibição de deixar o país e o impedimento de contato com outros investigados. As medidas foram requeridas no âmbito de um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz.
Com a decisão judicial, os passaportes brasileiros do senador – nas versões comum e diplomática – foram cancelados e foi inserido um alerta migratório no sistema SONAR. Na segunda‑feira (26), o parlamentar foi intimado a entregar eventuais passaportes de outras nacionalidades no prazo de 24 horas; a Polícia Federal informou que a determinação não foi cumprida dentro do prazo estabelecido. Até a divulgação da nota, não havia registro oficial de saída do senador pelos postos brasileiros de controle migratório.
Segundo informações oficiais, Flávio Bolsonaro, sua esposa Fernanda Bolsonaro e as duas filhas desembarcaram nos Estados Unidos por volta das 10h25, horário de Brasília, nesta quarta‑feira, a bordo de um avião particular que pousou no Miami‑Opa Locka Executive Airport. A aeronave partiu da Argentina, fez escala no Equador e seguiu para Miami.
A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou que o senador cruzou a fronteira pelo Ponte Internacional Tancredo Neves, em Misiones, por volta das 22h50, e deixou o território argentino cerca de 40 minutos depois. A Polícia Federal continua analisando o caso, ressaltando que o descumprimento das determinações judiciais, por si só, não configura fuga nem autoriza a prisão do senador.
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