O presidente do Paraguai, Santiago Peña, informou nesta quinta‑feira (5) que apresentará sua defesa no processo de impeachment que será analisado pelo Senado, após o Congresso não concluir a votação sobre sua renúncia à Presidência. Em publicação na rede social X, o mandatário afirmou que comparecerá ao julgamento “com argumentos e provas”, mesmo que os parlamentares já tenham “antecipado” uma decisão sobre seu futuro político.

Peña escreveu que exercerá o direito de defesa “respeitando a Constituição e as instituições da República” e que o fará “não por uma questão de orgulho pessoal, mas porque prestar contas e dar explicações também é uma responsabilidade perante o povo paraguaio”. O julgamento tem início ainda na noite desta quinta‑feira e deve ser concluído na sexta‑feira (6).

A manifestação do presidente ocorreu horas depois de o Congresso interromper a votação sobre a renúncia que ele havia anunciado em meio à crise política e financeira provocada pela quebra do banco digital Ueno Bank. Deputados governistas abandonaram a sessão conjunta, provocando a perda de quórum e impedindo a conclusão da análise da renúncia. Como a votação não foi finalizada, a Constituição paraguaia mantém Peña no cargo, enquanto o vice‑presidente Pedro Alliana aguarda definição sobre a sucessão presidencial.

A Câmara dos Deputados aprovou, por 78 votos a zero, a acusação para abertura do processo de impeachment contra Peña. A partir de agora, cabe ao Senado julgar o presidente e decidir sobre eventual destituição, medida que requer o apoio de, no mínimo, 30 dos 45 senadores. A Câmara rejeitou a abertura de processo contra o vice‑presidente.

A oposição defende a continuidade do impeachment para impedir que Peña adquira a condição de senador vitalício, prerrogativa constitucional concedida a ex‑presidentes eleitos democraticamente que deixem o cargo sem serem destituídos. Essa condição garante imunidades parlamentares que, segundo os críticos, poderiam dificultar processos criminais.

Na mesma publicação, Peña prometeu colaborar com as investigações sobre o Ueno Bank e fornecer às autoridades as informações solicitadas para esclarecer as responsabilidades pelo escândalo. O presidente ressaltou que a disputa sobre sua permanência no cargo não pode atrasar o ressarcimento dos clientes prejudicados pela quebra do banco, afirmando que “o pagamento aos depositantes não pode ficar pendente do que acontecer comigo”.

Encerrando a mensagem, Peña pediu calma à população e declarou que respeitará o resultado do processo de impeachment, acrescentando que “meu destino pessoal não está acima do Paraguai”.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.