A polícia civil do Rio de Janeiro encontrou, no celular da mãe do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, mensagens que indicam que o filho teria transmitido ao pai, o traficante Márcio Santos Nepomuceno, apelidado de Marcinho VP, a ordem de “fechar a política”.

A descoberta ocorreu durante operação realizada em abril deste ano contra Marcia Gama dos Santos Nepomuceno, mãe de Oruam, no âmbito de investigação sobre a movimentação financeira do Comando Vermelho (CV). Investigadores da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) analisaram o aparelho e obtiveram trechos das conversas trocadas entre a mãe e o filho.

Em mensagem datada de março de 2025, Oruam relata ter ouvido do pai, durante visita ao Presídio Federal de Campo Grande (MS), a instrução: “Meu pai mandou fechar a política”. Para os investigadores, o conteúdo indica que Marcinho VP, mesmo cumprindo pena há mais de duas décadas, ainda teria capacidade de interferir diretamente em atividades políticas desenvolvidas em áreas sob influência do CV. O relatório não especifica quais ações ou quais agentes políticos seriam alvos da ordem.

Em outra troca, Marcia comenta que o irmão de Oruam, Lucas Nepomuceno, estaria “correndo atrás” de interesses próprios usando a influência do pai. Oruam questiona como poderia agir da mesma forma, alegando que o irmão já teria “pegado tudo para ele”. A DRE interpreta o diálogo como indício de disputa entre os irmãos pelo acesso a recursos e à influência de Marcinho VP.

As mensagens também revelam que Oruam se deslocou até um ponto de controle territorial de traficantes no Complexo do Alemão para receber dinheiro da chamada “caixinha” pertencente ao pai, termo usado para designar valores movimentados pela organização criminosa.

Além disso, os registros apontam que Oruam e Lucas mantinham contato com lideranças do CV, entre elas Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, e Wilton Carlos Rabello Quintanilha, apelidado de Abelha.

A investigação identificou ainda pedidos de recursos feitos por Marcia a integrantes da facção. Em um caso, a companheira de Marcinho VP teria solicitado R$ 10 mil a Doca para quitar uma fatura de cartão de crédito. Em outra situação, Marcia pediu a Luiz Paulo Silva de Souza, “Magrão”, que transmitisse a Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D, um pedido de R$ 8 mil para um chá de bebê e R$ 20 mil para a compra de móveis, totalizando R$ 28 mil. Ela orientou que os valores fossem posteriormente descontados de “Nego”, apelido usado para referir‑se a Marcinho VP.

Para os investigadores, o conjunto de mensagens reforça a suspeita de que o traficante continua a participar ativamente da administração de interesses ligados ao Comando Vermelho, apesar da prisão. O caso permanece em fase de apuração.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de 96 FM. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.