A Polícia Civil do Distrito Federal realizou, nesta quinta‑feira 5 de novembro, diligências da Operação Azzardo em Natal, integrando um conjunto de ações que também ocorreu no Distrito Federal, São Paulo, Goiás, Paraná e Ceará. A investigação tem como objetivo desarticular um esquema de apostas ilegais que, segundo apuração, movimentou aproximadamente R$ 739 milhões por meio de empresas utilizadas para ocultar a origem dos recursos e redistribuí‑los.

No total, foram cumpridos 52 mandados de busca e apreensão, além de medidas de bloqueio patrimonial. Não foram expedidos mandados de prisão nesta fase da operação. As investigações apontam que os valores depositados pelos usuários nas plataformas de apostas eram encaminhados a empresas de fachada, que concentravam o dinheiro antes de redistribuí‑lo entre pessoas físicas, outras empresas e instituições de pagamento.

Algumas das empresas citadas nas investigações declaravam atividades sem vínculo com o setor de apostas. No Distrito Federal, por exemplo, a polícia identificou uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de tarô que teriam sido utilizadas para receber os recursos provenientes das apostas. A estrutura financeira do grupo também incluía transferências envolvendo criptoativos, prática que os investigadores consideram parte da estratégia de movimentação de recursos.

Por determinação judicial, foram autorizados bloqueios de contas e ativos financeiros de 64 pessoas físicas e 120 empresas, totalizando até R$ 3,483 bilhões. A decisão também suspendeu o registro de 100 empresas e de empresários individuais, além de impedir a abertura de novas contas bancárias pelos investigados durante 90 dias. Outra medida autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas, bem como a indisponibilidade de bens mantidos em instituições supervisionadas pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

As apurações tiveram início há cerca de cinco meses, após a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda comunicar à Polícia Civil a existência de plataformas que operavam sem autorização federal. A investigação alcançou ainda a fintech A55 Sociedade de Crédito, sediada em São Paulo; simulações realizadas pelo Ministério indicaram que pagamentos via Pix efetuados nos sites investigados eram direcionados a contas de empresas de fachada mantidas na instituição.

Os investigados poderão responder pelos crimes de exploração de loteria não autorizada, estelionato mediante fraude eletrônica, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Agora RN. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.