Um condomínio de 255 metros de altura, batizado com o nome de um monarca inglês do século XVII, está em fase de construção em Itapema, litoral de Santa Catarina, e representa a mais recente aposta do mercado de alto padrão por empreendimentos que unem marca, estilo de vida e narrativa ao produto imobiliário.

O projeto, denominado Charles II Yacht Royal Home, será erguido pela Gessele Empreendimentos em parceria com a construtora de iates de luxo Okean Yachts. Com 70 pavimentos, o edifício comportará 114 unidades residenciais cujos preços variam entre R$ 7 milhões e R$ 25 milhões. Segundo a incorporadora, mais de 60 % das unidades já foram comercializadas e a entrega está prevista para outubro de 2033. A iniciativa é apresentada como a primeira “branded residence” náutica do país, ao associar a moradia ao universo dos iates de alto padrão.

A região de Balneário Camboriú, vizinha a Itapema, concentra a maior parte das torres mais altas do Brasil; sete dos dez edifícios mais elevados já concluídos, em construção ou projetados estão na cidade. Entre os novos lançamentos, destaca‑se a Senna Tower, que deve ultrapassar 500 metros de altura e pretende tornar‑se a torre residencial mais alta do mundo. O conceito da obra se inspira na trajetória do piloto Ayrton Senna, e a marca do atleta foi incorporada ao projeto para reforçar valores ligados ao seu legado.

Adriano Lima, diretor comercial da Gessele, afirma que a proposta vai além de metragem, número de suítes ou áreas de lazer. Para ele, o comprador de um empreendimento desse nível adquire também uma identidade e um modo de viver que se traduz em experiência.

No Rio de Janeiro, no bairro Recreio dos Bandeirantes, avança a construção do Castelo do Pontal, um conjunto de torres e muralhas que combina monumentalidade e cenografia para receber festas e eventos. A arquiteta Aline Morete descreve o projeto como uma arquitetura de presença marcante, que alia estética de castelo à funcionalidade necessária para circulação e realização de diferentes formatos de eventos. A conclusão está prevista para 2027.

Especialistas apontam que a estratégia de vincular marcas e histórias ao imóvel responde a uma demanda de consumidores que buscam pertencimento a universos reconhecíveis. Rosana de Moraes, professora de marketing da Fundação Getúlio Vargas, destaca que o luxo sempre contou uma história, citando marcas como Hermès que constroem desejo e identidade ao longo de gerações. Para ela, a exclusividade e a qualidade são requisitos indispensáveis, e o preço funciona como parte do posicionamento, mas não como seu único elemento definidor.

Sergio Langer, consultor do segmento de alto padrão, observa que a identificação com o conceito do empreendimento passa a ser tão decisiva quanto as características técnicas. Ele afirma que, quando o conceito nasce junto ao produto, ele reduz o tempo de decisão do comprador e sustenta o valor percebido, que não se mede apenas em metros quadrados. Entre os projetos citados como referência estão o Daslu Residences, em São Paulo, o Yachthouse by Pininfarina, em Balneário Camboriú, e a Fazenda Villagio, em Senador Canedo, que também utilizam marcas e temáticas para criar um estilo de vida associado.

Do ponto de vista cultural, o professor Emilliano Alves de Freitas Nogueira relaciona a linguagem arquitetônica dos castelos e colunas ao imaginário de poder e distinção social. Ele aponta que a reprodução de elementos neoclássicos, como capitéis e colunas, tem sido empregada para comunicar prestígio econômico individual, citando inclusive o fenômeno “greco‑goiano” que surgiu em torno da fachada neoclássica da mansão de Gusttavo Lima. Nogueira alerta que projetos baseados em tendências podem se tornar datados se não evoluírem além da estética momentânea.

Rosana de Moraes compartilha da preocupação de que uma estética vinculada a um período específico possa perder apelo com o tempo, enquanto Langer diferencia tema de conceito, sustentando que o primeiro envelhece, mas o segundo permanece quando a proposta de vida continua válida mesmo sem a marca ou a decoração original.

Com a conclusão prevista para 2033 do Charles II Yacht Royal Home, para 2027 do Castelo do Pontal e a expectativa de inauguração da Senna Tower nos próximos anos, o mercado de luxo brasileiro observará se a narrativa e a identidade propostas pelos desenvolvedores se transformarão em elementos duradouros da experiência residencial ou permanecerão como estratégias de venda.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.