Em setembro, a Serasa registrou o maior número de brasileiros com contas em atraso da história, enquanto a defesa de Daniel Vorcaro recorreu à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e o Banco Central se prepara para anunciar a nova taxa Selic.
Segundo o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas no Brasil, divulgado pela Serasa, 84,2 milhões de pessoas estavam com contas em atraso em setembro, 6 % a mais que no mesmo mês de 2025 e superando os 83,9 milhões registrados em agosto. Desde 2020, o número de consumidores negativados cresceu 34,17 %. As dívidas acumuladas totalizaram R$ 597,4 bilhões, alta de 0,9 % em relação a agosto, e a dívida média por inadimplente foi de R$ 7.093,83, equivalente a aproximadamente 4,4 salários‑mínimos.
Os bancos e cartões de crédito concentraram 27,16 % do total da dívida, seguidos pelas financeiras (20,66 %) e pelas contas básicas de água, luz e gás (20,32 %). Entre os inadimplentes, 50,5 % eram mulheres e 49,5 % homens. A faixa etária de 41 a 60 anos representou 35,7 % dos casos, a de 26 a 40 anos, 33,2 %; pessoas acima de 60 anos, 20,1 %; e jovens de 18 a 25 anos, 11 %.
Paralelamente, a defesa de Daniel Vorcaro, ex‑controlador do Banco Master, apresentou recurso à CIDH alegando supostas violações de direitos humanos e solicitando apoio para a sua libertação. Vorcaro está preso preventivamente desde março. Os advogados afirmam que o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não analisou o pedido de soltura protocolado em 18 de setembro e que a prisão não foi reavaliada a cada 90 dias, como determina a legislação. Também apontam que a Procuradoria‑Geral da República (PGR) ainda não apresentou denúncia contra o banqueiro. Segundo a defesa, “até hoje não há denúncia nem ação penal. O indiciamento lançado nesta semana em relatório parcial da Polícia Federal não é acusação formal”, e questionam a integridade das provas reunidas na investigação. O pedido de liberdade permanece pendente no STF; o caso, que estava sob relatoria do ministro André Mendonça, passou a ser conduzido pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, que foi solicitado a autorizar Mendonça a analisar o pedido.
Na mesma semana, o Banco Central deve divulgar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa básica de juros, a Selic, prevista para quarta‑feira, 4 de novembro. A taxa encontra‑se em 13,75 % ao ano, após redução de 0,25 ponto percentual na reunião de setembro. O Comitê levará em conta indicadores como inflação, atividade econômica, mercado de trabalho, contas públicas e cenário internacional. O Boletim Focus indica que as instituições financeiras esperam que a Selic encerre 2026 em 13,25 %, embora a projeção não garanta corte na reunião.
A Selic é a principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação. Quando os preços sobem, juros mais altos encarecem o crédito e tendem a reduzir o consumo; cortes na taxa buscam estimular empréstimos, investimentos e atividade econômica. Uma eventual redução pode beneficiar quem pretende contratar empréstimos ou financiamentos, embora o repasse não seja automático, pois as instituições financeiras consideram riscos de inadimplência, impostos e custos operacionais. Contratos com juros fixos permanecem inalterados, enquanto cartões de crédito e cheque‑especial podem ter suas taxas influenciadas pela Selic, embora geralmente permaneçam bem acima dela. A diminuição da taxa também reduz gradualmente os rendimentos de aplicações atreladas ao CDI e de títulos pós‑fixados, como CDBs e Tesouro Selic. Enquanto a Selic permanecer acima de 8,5 % ao ano, a poupança continua rendendo 0,5 % ao mês mais a Taxa Referencial (TR).
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Blog do BG. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
