O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, manifestou descontentamento com a carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) ao chegar e ao deixar a residência do ex‑presidente Jair Bolsonaro, onde este cumpre prisão domiciliar, nesta quinta‑feira, 29 de outubro. Em ambas as ocasiões, o dirigente afirmou que “não gostou” e que “ninguém aprovou a carta do Flávio”.

A carta foi publicada na tarde de quarta‑feira, 28 de outubro, logo após Flávio Bolsonaro desembarcar nos Estados Unidos com a esposa e as filhas. No documento, o senador se declarou “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e acusou o ministro Cristiano Zanin de ter beneficiado a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva ao prorrogar a votação do segundo turno por duas horas. Poucos minutos depois, Flávio alterou o texto, retirando a referência a “presidente eleito” e passando a se autodenominar “líder do Brasil”. Não foi apresentada justificativa oficial para a mudança.

Na mesma carta, Flávio afirmou que não fugiu do país, mas saiu “de um regime de exceção” para exercer a liderança que seu povo merece, alegando que, calado, preso e censurado como seu pai, não poderia exercer tal função. O PL, que também havia solicitado a extensão do tempo de votação e teve o pedido atendido, reconheceu a vitória de Lula, mas cobrou explicações sobre a postura do senador.

Após a divulgação da carta e a notícia de que Flávio havia deixado o Brasil, Valdemar Costa Neto convocou uma reunião de emergência do PL em Brasília. Segundo apuração, o encontro foi marcado por tensão; o senador Rogério Marinho (PL‑RN), coordenador da campanha de Flávio, declarou que foi surpreendido pela viagem e que não recebeu nenhuma informação sobre os planos do parlamentar de sair do país com a família.

Valdemar, que recebeu autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para visitar Jair Bolsonaro, chegou ao condomínio onde o ex‑presidente está recolhido e disse aos jornalistas que sentia “muita saudade” de Bolsonaro, que não via há muito tempo. Ele acrescentou que levaria “muitas novidades” ao pai, incluindo o que decidiu em reunião com a ex‑primeira‑dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL‑DF) na terça‑feira, 27 de outubro. O encontro com Michelle ocorreu horas depois de surgirem as primeiras informações de que Flávio havia deixado o Brasil, em uma operação que, segundo relatos, visava despistar a imprensa e a polícia, já que o senador viajou efetivamente aos Estados Unidos apenas à noite.

Em entrevista ao chegar à residência de Jair Bolsonaro, Valdemar afirmou que Flávio não avisou ao partido nem ao pai sobre a intenção de viajar. “Ele veio para ver o pai, nem o Bolsonaro sabia que ele ia. Ninguém sabia, eu também não sabia”, declarou. O dirigente também ressaltou que não conversou com o ex‑presidente sobre a carta do senador.

A sequência de eventos – cancelamento dos passaportes de Flávio Bolsonaro pelo ministro Alexandre de Moraes, a publicação e a posterior alteração da carta, a viagem ao exterior, a reunião de emergência do PL e a visita de Valdemar ao ex‑presidente – evidencia divergências internas no partido e coloca em foco as reações de seus líderes diante das declarações do senador.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.