O Brasil passa por uma série de mudanças regulatórias e econômicas após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, com impactos previstos no mercado de apostas, nas expectativas de inflação, nas contas públicas e na estrutura tributária.

A proibição das apostas online, estabelecida pelo presidente Lula por meio da Medida Provisória nº 1.394, publicada em 25 de setembro de 2026, tem validade inicial até 23 de novembro e depende de aprovação do Congresso para se tornar definitiva. Caso não seja votada dentro do prazo, a MP pode ser prorrogada por mais 60 dias. Segundo projeções do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), a restrição pode fazer o mercado clandestino de apostas crescer 101%, elevando a receita anual de R$ 27,9 bilhões para R$ 56 bilhões – um aumento de R$ 28,1 bilhões no Gross Gaming Revenue (GGR), que corresponde à diferença entre o valor apostado e os prêmios pagos. O instituto estima que 70 % dos apostadores de plataformas regulamentadas migrem para operadores ilegais.

Para mapear a atividade ilícita, o IBJR identificou 60 477 endereços suspeitos de oferecer apostas na internet; 34 134 desses apresentavam cadastro de usuários, oferta de bônus e pagamentos por Pix. A ferramenta de monitoramento LegitBet também detectou páginas que utilizam nomes e identidades visuais semelhantes a marcas consolidadas, como Betano, Bet365, Novibet e BetMGM. O instituto ressalta, porém, que a inclusão de um endereço na base de monitoramento não comprova que ele tenha sido criado após a proibição nem confirma, por si só, a ilegalidade da operação. A migração para plataformas clandestinas pode deixar os apostadores sem mecanismos de proteção exigidos das empresas autorizadas, como verificação de identidade, fiscalização das transações e medidas para impedir o acesso de menores de idade.

Em paralelo, a expectativa de inflação para os próximos anos subiu após a vitória de Lula. Uma pesquisa da corretora BGC Liquidez, realizada com cerca de 30 participantes do mercado, elevou a projeção do IPCA para 5,3 % em 2027 e 4,3 % em 2028. Antes do segundo turno, a pesquisa Focus, do Banco Central, apontava inflação de 4,34 % para 2027 e 3,75 % para 2028. O economista da BGC, Carlos Thadeu, atribuiu a revisão ao receio de falta de estratégia de ajuste fiscal e ao aumento esperado dos gastos públicos. A alta do dólar, que passou de R$ 4,99 para R$ 5,44 em pouco mais de uma semana, também pressiona os preços, sobretudo dos combustíveis. Ele destacou que 11 % dos entrevistados já projetam inflação superior a 6 % em 2027 e que o possível fim da escala 6 × 1 pode gerar pressão adicional sobre os custos das empresas.

O cenário fiscal também foi objeto de alerta da revista britânica The Economist, que analisou a situação do país após a eleição presidencial. A publicação apontou que o déficit orçamentário supera 9 % do Produto Interno Bruto (PIB) e que o Fundo Monetário Internacional projeta a dívida pública em 97 % do PIB neste ano, frente a 84 % em 2022. Segundo a revista, a taxa real de juros está em 9 %, refletindo a pressão fiscal sobre a política monetária, e o custo elevado do crédito prejudica investimentos, empresas e famílias, limitando o crescimento econômico. Para evitar uma crise fiscal e uma possível recessão, a análise recomenda que o governo demonstre compromisso com a disciplina fiscal, começando pela escolha de um ministro da Fazenda que inspire confiança ao mercado e pela apresentação de um plano consistente de controle das contas públicas. Entre as medidas sugeridas estão a criação de limites para os gastos, a revisão de benefícios tributários concedidos a empresas e o controle do crescimento das despesas previdenciárias, especialmente com aposentadorias de servidores públicos e militares. A revista também criticou a promessa de ampliação de subsídios e políticas sociais sem fonte sustentável de financiamento, estimando que as novas iniciativas anunciadas pelo governo podem representar despesas equivalentes a cerca de 2 % do PIB até o fim de 2027.

No âmbito tributário, projeções divulgadas por analistas indicam que a reforma do sistema de impostos sobre o consumo pode colocar o Brasil entre os países com as maiores alíquotas do mundo. A taxa padrão do novo regime poderia ultrapassar 30 %, superando os percentuais praticados em economias desenvolvidas como Hungria, Finlândia e Dinamarca, segundo levantamento da Tax Foundation e de especialistas.

Com a Selic mantida em 13,75 % ao ano, a curva de juros futuros indica apenas 20 % de probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), reforçando a expectativa de estabilidade da taxa de juros no curto prazo. O conjunto desses fatores – a proibição das apostas, a elevação das expectativas inflacionárias, o alerta sobre a sustentabilidade fiscal e a perspectiva de aumento da carga tributária sobre o consumo – compõe um cenário de desafios para a economia brasileira nos próximos anos.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Blog do BG. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.