O jornalista e estudante de teologia Caio Castro Lima lançou nesta quinta‑feira o livro *A Morte é um Canto Gregoriano – É Preciso Entendê‑la para não Temê‑la*, publicado pela Juruá Editora. A obra, com 102 páginas, reúne reflexões sobre luto, perdão, cuidados paliativos e a dignidade no fim da vida, a partir da experiência do autor como ministro extraordinário da Consolação e Esperança, serviço religioso que atende famílias enlutadas em cemitérios do Rio de Janeiro há três anos.
Lima, que atua voluntariamente no ministério, relata que o contato direto com pessoas em velórios o levou a repensar a forma como se encara a própria finitude. Para ele, a morte deve ser vista como parte da vida, e não apenas como seu término. Essa mudança de perspectiva, segundo o autor, passa por reconhecer que o tempo é limitado e usar essa consciência para construir relações mais saudáveis, abandonar ressentimentos e buscar sentido nas atividades cotidianas.
A motivação pessoal de Lima para aprofundar o tema surgiu com a morte de seu pai, ocorrida durante a pandemia de Covid‑19. O pai sofreu um acidente vascular cerebral e faleceu antes que o filho, que na época trabalhava em Curitiba e viajava com frequência ao Rio de Janeiro, pudesse chegar a tempo para se despedir. A ausência no funeral trouxe à tona desentendimentos e mágoas não resolvidas entre eles. Lima afirmou que, para lidar com a falta de despedida, precisou trabalhar o perdão, tanto em relação ao pai quanto a si mesmo, reconhecendo que o peso da raiva e do ódio impede a vivência serena do luto.
Cinco anos após a perda, o autor descreve que passou a enxergar a relação com o pai de forma mais tranquila, destacando que perdoar não implica retomar a amizade, mas sim liberar o fardo emocional que a mágoa gera. Ele recomenda que o perdão seja praticado cotidianamente, antes que a morte se torne iminente, como forma de evitar que conflitos não resolvidos se transformem em sofrimento adicional para os enlutados.
Além da questão do perdão, Lima enfatiza a importância de estar presente para quem sofre. Em seu trabalho nos cemitérios, ele procura não oferecer respostas prontas ou conselhos que pretendam aliviar a dor de forma imediata. Segundo o entrevistado, a pessoa enlutada precisa vivenciar o luto, e o papel do acompanhante é ouvir, aceitar o desabafo e permanecer ao lado do outro, seja apertando a mão ou simplesmente estando presente. Ele ressalta que, embora a oração possa ser fonte de consolo para quem tem fé, o essencial é oferecer afeto sem impor interpretações ou exigir superação rápida do sofrimento.
A preparação para a morte, de acordo com Lima, também inclui conversar sobre o fim da vida antes que uma doença grave ou uma emergência exija decisões difíceis. O autor tem se dedicado ao estudo dos cuidados paliativos, que visam melhorar a qualidade de vida e aliviar o sofrimento de pacientes com doenças avançadas. Ele defende que abrir espaço para que o paciente expresse desejos, medos e necessidades preserva sua autonomia e fortalece os vínculos familiares, evitando que a despedida seja marcada apenas por questões não resolvidas.
A perspectiva cristã permeia a visão de Lima sobre a morte. Ele acredita que a esperança na ressurreição permite encarar a finitude como parte de uma existência que não se encerra com a morte física. Essa convicção orienta seu trabalho de consolação, que busca levar a palavra de Deus e oferecer esperança sem negar a dor que a perda provoca.
Em *A Morte é um Canto Gregoriano*, Lima reúne essas ideias e propõe duas atitudes fundamentais para viver diante da certeza da morte: amar e perdoar. Ele afirma que, se soubéssemos o momento exato da nossa partida, a única coisa a fazer seria perdoar e amar, um convite para não adiar conversas, gestos de afeto e reconciliações enquanto ainda há tempo.
O lançamento do livro ocorre em meio a debates sobre a importância de discutir a morte de forma aberta e preparar emocionalmente famílias e indivíduos para lidar com o luto. A obra de Lima chega como um aporte teórico e prático, combinando sua vivência nos cemitérios, seus estudos em teologia e cuidados paliativos e referências à tradição cristã, oferecendo ao leitor um panorama que busca transformar o medo da morte em compreensão e serenidade.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
