O governo federal avaliou que a recusa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em reconhecer o resultado das eleições presidenciais brasileiras coloca o líder americano em situação de isolamento diplomático. A análise foi feita por integrantes do Executivo, que ressaltaram a inexistência de fundamentos para contestar a lisura do pleito.
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva foi confirmada no último domingo, com 64 milhões de votos, frente a 59,8 milhões obtidos pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). O resultado recebeu aprovação imediata de autoridades globais, de representantes do Legislativo e do Judiciário nacionais e, inclusive, do próprio Partido Liberal, ao qual pertence o candidato da oposição.
A postura de Trump tem sido acompanhada apenas por um pequeno grupo de governos, entre eles Israel e a Argentina. O presidente argentino, Javier Milei, foi o único chefe de Estado sul‑americano que não cumprimentou Lula pela reeleição. Em contraste, dirigentes de direita de outros países da região – Santiago Peña (Paraguai), Daniel Noboa (Equador), José Antonio Kast (Chile) e Abelardo de la Espriella (Colômbia) – reconheceram prontamente o resultado das urnas.
No Palácio do Planalto, a leitura é de que o governo inicia esta nova fase em posição consideravelmente mais forte que no ano anterior, período marcado pelas tensões diplomáticas e comerciais geradas pela chamada “crise do tarifaço”. Na ocasião, a pressão sobre o Brasil se intensificou após o julgamento de Jair Bolsonaro por supostas tentativas de golpe e as articulações de Eduardo Bolsonaro junto a Washington para incentivar sanções econômicas contra o país. Com o respaldo institucional interno e a aceitação majoritária da comunidade internacional, as tentativas da oposição de buscar apoio externo para questionar as eleições perderam substância política.
Em âmbito econômico, o Santander anunciou, nesta quinta‑feira, a elevação das taxas de crédito imobiliário, seguindo o movimento iniciado pelo Bradesco e adotado pelo Itaú. A partir de sexta‑feira, os financiamentos terão encargos a partir de 12,49 % ao ano, acrescidos da Taxa Referencial (TR). O ajuste ocorre em meio à alta dos juros futuros após a reeleição de Lula, encarecendo as parcelas mensais e exigindo renda familiar mais elevada para a aprovação de crédito, o que pode reduzir a demanda por imóveis, impactar a construção civil, diminuir a oferta de empregos no setor e desacelerar o mercado imobiliário nacional.
Paralelamente, a dívida bruta do setor público consolidado do Brasil fechou setembro em R$ 11,1 trilhões, equivalente a 82,9 % do Produto Interno Bruto, o pior patamar desde março de 2021. O indicador subiu 11,2 pontos percentuais desde o início do terceiro mandato de Lula, quando representava 71,7 % do PIB. O avanço contínuo da dívida reflete o descompasso das contas públicas, impulsionado pelo aumento das despesas governamentais e pelos déficits acumulados. No acumulado do ano, a dívida bruta cresceu mais de 6 pontos percentuais em relação ao PIB, enquanto a dívida líquida do setor público chegou a 70 % da riqueza produzida no país. O resultado fiscal de setembro registrou déficit primário de R$ 5,5 bilhões, evidenciando o desafio permanente de equilibrar arrecadação e gastos estruturais.
A Controladoria‑Geral da União divulgou um relatório que apontou R$ 49 milhões em sobrepreço e inconsistências orçamentárias nas obras de adequação do Terminal Portuário de Outeiro, em Belém. O projeto, contratado pela Companhia Docas do Pará por R$ 233,8 milhões mediante dispensa de licitação, ultrapassou o orçamento inicial em 29 %, passando de R$ 181,3 milhões para o valor atual sem alteração no escopo. A principal irregularidade identificada foi a cobrança duplicada de serviços de içamento e cravação de estruturas metálicas, no montante de R$ 22,7 milhões, além de preços acima das referências de mercado e acréscimos indevidos na quantidade de aço. A Companhia Docas reconheceu R$ 10,54 milhões dos valores questionados e contestou os R$ 38,53 milhões restantes. A CGU também destacou falhas na supervisão, já que a mesma empresa participou da elaboração do projeto e do orçamento e, posteriormente, assumiu a fiscalização da obra.
Um laudo pericial encomendado pela defesa de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, identificou alterações em registros extraídos do celular do empresário. Segundo o documento, centenas de arquivos foram modificados ou criados após a data de sua prisão, em 18 de novembro de 2025. Foram detectados 657 arquivos com registro de modificação na data da prisão e 999 alterações posteriores, incluindo 340 modificações em maio de 2026. A perícia também apontou 207 ativações de tela, 33 acionamentos da câmera frontal e três conexões USB após a apreensão do aparelho. A defesa questiona a preservação da cadeia de custódia e afirma não ter recebido os arquivos brutos necessários para verificar a integridade dos dados, o que pode afetar a utilização de mensagens atribuídas a Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes no contexto da investigação sobre contatos e contratos do Banco Master.
Em declarações públicas, Daniel Vorcaro afirmou ter repassado R$ 40 milhões em dinheiro vivo ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em operações relacionadas às eleições de 2022 e 2024.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Blog do BG. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
