O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou, nesta quinta‑feira (5), reunião com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, integrantes do governo e economistas ligados ao PT para discutir medidas que contenham o crescimento das despesas públicas após o Banco Central interromper o ciclo de redução da taxa básica de juros, mantida em 13,75 % ao ano.
Participam do encontro o vice‑presidente Geraldo Alckmin, os ministros Bruno Moretti (Planejamento) e Esther Dweck (Gestão), os ex‑ministros Fernando Haddad e Guido Mantega, além dos economistas Luciano Coutinho e Laura Carvalho. Durigan deverá apresentar propostas que incluam maior contingenciamento de gastos e mecanismos para limitar o aumento de despesas obrigatórias, como saúde e educação, sem redução de verbas, com o objetivo de cumprir as metas fiscais e preservar os programas sociais. Em entrevista mais cedo, o ministro classificou os juros brasileiros como “muito altos”, mas evitou criticar diretamente a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), afirmando que o governo precisa criar condições estruturais para permitir a redução da taxa. A reunião ocorre em meio a críticas de integrantes do PT à política monetária do Banco Central e à expectativa do mercado por um plano consistente de controle das despesas públicas.
Na mesma data, o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) e o ex‑deputado Eduardo Bolsonaro participaram da conferência conservadora CPAC, realizada em Mar‑a‑Lago, na Flórida. A organização confirmou a presença dos dois, embora ainda não tenha divulgado horários nem temas das apresentações. Flávio chegou aos Estados Unidos em 28 de outubro, após passagem pela Argentina e Equador, e entrou no país com autorização humanitária (humanitarian parole), que permite permanência por um ano. A imprensa americana noticiou que o governo Trump poderia acelerar a concessão de residência permanente (green card) ao senador e aos familiares. Aliados do secretário de Estado Marco Rubio atribuíram a ele a articulação da viagem, mas o diplomata negou participação. O presidente Donald Trump afirmou que Flávio pode permanecer nos Estados Unidos “quanto tempo quiser”, mas declarou não ter tomado partido na eleição brasileira.
O governo federal enfrenta ainda um impacto negativo de R$ 26,3 bilhões no Orçamento de 2027, decorrente da queda na arrecadação de dividendos das estatais federais e do aumento dos recursos destinados a socorrer essas empresas, especialmente os Correios. Dados do Tesouro Nacional apontam que a previsão de receitas com dividendos deve cair de R$ 51,5 bilhões em 2026 para R$ 30,9 bilhões no próximo ano, enquanto os aportes às estatais devem subir de R$ 257 milhões para R$ 6 bilhões, em grande parte por causa do plano de recuperação dos Correios. A estatal registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões apenas no primeiro semestre deste ano, após encerrar 2025 com perdas de R$ 8,5 bilhões. O conjunto das estatais federais acumulou déficit de R$ 8,5 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, o pior resultado para o período desde 2002, segundo o Banco Central. O cenário aumenta a pressão sobre as contas públicas, já que o governo também precisará remanejar cerca de R$ 20 bilhões para acomodar medidas econômicas anunciadas durante a campanha eleitoral. O Tesouro alerta ainda para o risco de novos aportes emergenciais em empresas como Eletronuclear, Casa da Moeda e companhias portuárias. Para 2027, a meta de superávit é de 0,5 % do PIB, equivalente a R$ 73,2 bilhões.
Em paralelo, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) entregou, nesta quarta‑feira (4), ao ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, um documento com 11 sugestões para reduzir os impactos da mudança na jornada de trabalho prevista para o fim da escala 6×1. A entidade pediu um período de transição de cinco anos para a implementação da nova regra. Estudos da CBIC indicam que a redução da jornada poderá exigir a contratação de aproximadamente 300 mil novos trabalhadores para manter o ritmo atual de produção e gerar um aumento de 10 % a 15 % nos custos de mão de obra, o que representaria mais de R$ 20 bilhões anuais caso a capacidade produtiva seja recomposta por horas extras. A mudança, sem adaptação adequada, poderia resultar na construção de 35 mil moradias a menos por ano, afetando programas como o Minha Casa, Minha Vida, além de atrasar a entrega de escolas, creches, hospitais e obras de infraestrutura. “A construção civil precisa de um período de transição para absorver essa transformação com estabilidade. Não é possível adaptar sistemas, renegociar contratos, rever bancos de horas e reorganizar toda a operação em apenas dois meses”, afirmou David Fratel, vice‑presidente da CBIC. O ministro Luiz Marinho recebeu o documento e destacou a negociação coletiva como instrumento para adequar as mudanças às diferentes realidades produtivas.
Assim, o Executivo lida simultaneamente com a necessidade de ajustar a política fiscal, responder a pressões setoriais e acompanhar a participação de figuras políticas brasileiras em eventos internacionais, em um contexto de desafios orçamentários e de mercado.
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