O livro “Banho de Sol – Os 580 dias de Lula na prisão”, lançado nesta terça‑feira (3), traz relatos do policial federal Jorge Chastalo Filho, que acompanhou a rotina do ex‑presidente Luiz Inácio Lula da Silva enquanto esteve detido na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, entre 7 de abril de 2018 e 8 de novembro de 2019. Segundo o autor, nas conversas que presenciou, Lula teria dirigido críticas duras a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que foram indicados por ele ou por sua sucessora, Dilma Rousseff.

Nos trechos reproduzidos na obra, Lula teria chamado a ministra Cármen Lúcia de “falsa humilde” ao relembrar um diálogo de 2006, quando a magistrada buscava apoio para ser indicada ao STF. O ex‑presidente teria ainda se referido a ela como “miserável” ao comentar decisões judiciais que considerou desfavoráveis. Em relação ao ministro Edson Fachin, o livro indica que Lula o chamou de “filho da puta” depois que o magistrado retirou da pauta um habeas corpus que poderia abrir caminho para a libertação do presidente. Lula teria afirmado não confiar em Fachin, lembrando que sua indicação ocorreu durante o governo de Dilma Rousseff, após consulta ao antecessor sobre o nome.

Quanto ao ministro Luiz Fux, o relato aponta que Lula o qualificou como “cachorro pidão” e “canalha” após o magistrado suspender uma autorização concedida pelo ministro Ricardo Lewandowski, que permitia ao presidente conceder entrevistas à Folha de S.Paulo e ao jornal espanhol El País, em 2018. O livro sugere que a crítica também se relacionava à suposta aproximação de Fux com o governo quando buscava uma vaga no Supremo.

A obra, de 592 páginas, foi publicada pela editora WMF Martins Fontes. O autor, que ficou conhecido nas redes sociais como “Rodrigo Hilbert da Federal”, registrou detalhes da rotina de Lula, como horários de banho de sol, visitas e conversas sobre política, justiça e assuntos pessoais. O lançamento gerou grande procura: dos 5 mil exemplares inicialmente distribuídos às livrarias, a editora já teria encomendado uma nova tiragem de 15 mil unidades.

Lula foi preso em 7 de abril de 2018 após condenação no caso do tríplex do Guarujá, no âmbito da Operação Lava Jato, e permaneceu detido até 8 de novembro de 2019, quando o STF alterou o entendimento sobre a execução da pena antes do trânsito em julgado. Até a publicação das primeiras reportagens sobre o conteúdo do livro, a assessoria de imprensa do presidente e o próprio STF não haviam se manifestado oficialmente sobre os relatos.

Os episódios descritos no livro são apresentados como relatos do autor, baseados nas conversas que ele afirma ter presenciado durante a custódia de Lula. Não se tratam de declarações públicas do presidente, e ainda não há confirmação externa das palavras citadas. A obra acrescenta um novo capítulo ao debate sobre as relações entre o Executivo e o Judiciário no período em que Lula esteve encarcerado.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Blog Jair Sampaio. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.