O livro “Banho de sol: os 580 dias da prisão de Lula”, escrito pelo agente da Polícia Federal Jorge Chastalo Filho, reúne relatos detalhados da custódia de Luiz Inácio Lula da Silva na Superintendência da PF em Curitiba, entre abril de 2018 e outubro de 2019. Publicado pela editora WMF Martins Fontes, a obra conta com 592 páginas e apresenta os acontecimentos em ordem cronológica, a partir dos preparativos para a chegada do ex‑presidente até os episódios da convivência diária entre ele e o agente.

A transferência de Lula para a sede da Polícia Federal exigiu três dias de planejamento e a elaboração de quatro planos operacionais. Mesmo com a preparação, os policiais envolvidos relataram que, na época, ainda não acreditavam que a prisão se concretizaria.

Durante o período de custódia, a segurança incluiu o monitoramento de drones que sobrevoavam o prédio em busca de imagens e a administração da presença da imprensa, experiência descrita como “desagradável” pelo agente.

No deslocamento de helicóptero entre o aeroporto internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, e a sede da PF, a comitiva enfrentou manifestações hostis. As frequências de rádio registraram frases como “joguem esse lixo pela janela” e “não o soltem nunca mais”. O piloto pediu respeito ao trabalho da equipe, enquanto o controle de tráfego aéreo do aeroporto do Bacacheri alertou que as comunicações estavam sendo gravadas e poderiam ser usadas contra os responsáveis pelas ofensas.

Ao chegar à cela, Lula foi descrito como silencioso e abatido. A cela continha uma cama de solteiro, uma mesa quadrada de alumínio, uma cadeira e um armário antigo; as duas janelas eram protegidas por grades e correntes que permitiam apenas uma abertura de dez centímetros.

Preocupado com a possibilidade de envenenamento, Chastalo decidiu, no segundo dia, encomendar comida em um restaurante da região, não por insatisfação com a alimentação fornecida pela PF, mas por cautela quanto à segurança dos alimentos.

A primeira oportunidade de Lula usufruir de um espaço ao ar livre ocorreu no quarto dia de prisão, no local denominado “banho de sol”. O ambiente, sem aberturas laterais e cercado por paredes de dois metros, antes servia para reuniões e como área de fumantes. Lula comparou o local a uma jaula e manifestou insatisfação.

A rotina de contato entre o agente e o ex‑presidente gerou certa proximidade; Lula passou a chamar Chastalo de “querido” e fez brincadeiras sobre o cabelo do policial. Entre as solicitações feitas por Lula, estava uma bola de futebol para brincar com o neto Arthur, então com sete anos, e desenhos feitos em folhas de papel durante as visitas familiares. O neto faleceu em abril de 2019, e Lula recebeu autorização para comparecer ao sepultamento.

Lula também deixou a sede da PF para prestar depoimento ao então juiz Sergio Moro, na 13ª Vara Federal de Curitiba. A solicitação para acompanhar o velório do irmão Vavá foi negada, sob a justificativa de falta de tempo hábil.

Segundo o agente, as conversas entre ele e Lula “quase sempre foram sobre política”, abordando, entre outros temas, o andamento da operação Lava Jato; ele afirma que “são poucas as confissões que guardei”.

O processo editorial contou com a participação do jornalista Juca Kfouri, que conheceu Chastalo em uma visita a Lula, em abril de 2019, e posteriormente o entrevistou para a TVT, ao lado de José Trajano. A edição ficou sob responsabilidade do jornalista Lino Bocchini, que destacou que o agente começou a escrever antes da chegada de Lula à cela. A editora WMF Martins Fontes decidiu adiar o lançamento até o encerramento do processo eleitoral, com o objetivo de evitar que o conteúdo fosse utilizado como “peça política ou instrumento de campanha”.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.