Senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) publicou na rede social X, na noite de domingo (1º de novembro), uma nota intitulada “Nota ao Brasil”, na qual afirma que a Rede Globo desistiu de conceder-lhe entrevista exclusiva depois que ele exigiu que a conversa fosse transmitida integralmente, sem cortes ou restrições de tema. O parlamentar também acusa a emissora de preparar uma reportagem para o programa Fantástico sobre sua pessoa, sem oferecer espaço para sua versão dos fatos.

Na mesma mensagem, Bolsonaro denuncia o que chama de perseguição política e judicial desde que deixou o Brasil, apontando para a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a entrega de seus passaportes e impôs medidas cautelares. Segundo o senador, a decisão judicial foi publicada sete minutos após o anúncio do resultado das eleições presidenciais, e ele foi intimado pela Polícia Federal doze horas depois, ao sair da residência de seu pai, o ex‑presidente Jair Bolsonaro.

O senador relata que, após a intimação, partiu do país por via terrestre, cruzando a fronteira com a Argentina, e embarcou em um avião particular que fez escala no Equador antes de chegar a Miami, nos Estados Unidos, em 28 de outubro. Ele afirma que a viagem foi feita acompanhado da família, mas não detalha como foi organizada ou financiada. Em sua nota, Bolsonaro afirma que, nos Estados Unidos, pode manifestar‑se livremente, sem sofrer as decisões judiciais que considera arbitrárias, e critica a atuação do ministro Moraes e a suposta busca policial que, segundo ele, chegou a revistar até as roupas íntimas de suas filhas.

A reportagem do programa Fantástico, exibida no mesmo domingo, reconstruiu o trajeto da viagem e apresentou uma sequência diferente da divulgada anteriormente. De acordo com a apuração, Flávio Bolsonaro teria deixado Brasília às 5h05 da manhã da terça‑feira (27) a bordo de um avião pertencente ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador, com destino à região de Buenos Aires. O advogado negou que o senador tenha utilizado sua aeronave. De Buenos Aires, o senador teria embarcado em outro jato particular para chegar a Puerto Iguazú, na fronteira com o Brasil.

A mesma investigação indica que a esposa e as filhas de Flávio Bolsonaro teriam seguido outro itinerário: partiram de Brasília em um segundo avião com destino a Cascavel e, na noite da terça‑feira, foram transportadas por uma van da empresa Iguaçu Dallas Travel Turismo Ltda até Puerto Iguazú. A empresa contestou a informação, afirmando que não foi responsável pelo deslocamento do senador.

O relatório também menciona a participação de um ex‑militar israelense, descrito como ex‑oficial do serviço de inteligência de Israel, na organização da saída do parlamentar. O advogado Frederick Wassef, que representa Flávio Bolsonaro, declarou ao programa que não há informações oficiais confirmadas sobre a viagem e que não se trata de uma fuga.

Na nota ao Brasil, o senador afirma que pretende conceder entrevistas a veículos de comunicação nacionais e internacionais nos próximos dias, garantindo que serão realizadas “sem cortes, sem filtro”, para que possa expor o que, segundo ele, não conseguiria dizer estando no Brasil. Ele também relaciona a situação ao processo que condenou seu pai a mais de 27 anos de prisão por suposta tentativa de golpe de Estado, sustentando que o ex‑presidente não cometeu crime e lamentando a distância de outro filho, que, segundo Flávio, não o vê há mais de um ano e meio.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.