Um editorial publicado nesta quarta‑feira pelo jornal americano The Wall Street Journal afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) está sendo alvo de retaliação política no Brasil após chegar aos Estados Unidos e receber um visto humanitário concedido pelo governo de Donald Trump.
O texto, intitulado “No Brasil, a vitória traz consigo a vingança política”, relata que, minutos depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no domingo, o governo determinou que o líder da oposição entregasse o passaporte. Segundo o editorial, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, considerado aliado de Lula, autorizou a Polícia Federal a apreender os documentos de viagem de Flávio Bolsonaro.
Conforme a publicação, o senador deixou o país de forma discreta na terça‑feira, cruzando a fronteira com a Argentina acompanhado da esposa e das filhas, e chegou a Miami na quarta‑feira, onde os Estados Unidos concederam vistos à família, descritos como uma medida de proteção política.
O jornal ressalta que Flávio Bolsonaro responde a diversas investigações, mas ainda não foi formalmente acusado de crime. O editorial indica que o senador acredita que, caso seja processado, não terá um julgamento imparcial. Em um debate eleitoral transmitido pela Band, uma semana antes do segundo turno, o presidente Lula advertiu que, ao perder a imunidade parlamentar, Flávio enfrentaria “todo tipo de investigação”. A fala de Lula, reproduzida pelo WSJ, dizia: “Você se prepare, porque no dia 25, você vai perder imunidade e vai ter problema, porque a sua vida tem muito inquérito que agora vai andar”.
O texto também aponta que a decisão de abrir processo criminal contra um político federal compete ao procurador‑geral da República, mas que o ministro Alexandre de Moraes tem ampliado sua própria jurisdição quando isso serve a interesses políticos, citando sua participação na condenação do ex‑presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão em 2025 por tentativa de golpe de Estado.
Segundo o editorial, Flávio Bolsonaro se junta a um número crescente de jornalistas, blogueiros e formadores de opinião que optaram pelo exílio para evitar o risco de prisão, um fenômeno que, segundo o jornal, se intensificou após a anulação, em 2017, da condenação de Lula por corrupção e a subsequente censura a vozes críticas.
O artigo ainda menciona que, no seu quarto mandato, Lula poderá indicar até quatro novos ministros para o STF. As vagas previstas são: a deixada por Luís Roberto Barroso, que saiu da corte em 2025; a aposentadoria compulsória de Luiz Fux em 2028; a de Cármen Lúcia em 2029; e a de Gilmar Mendes em 2030. O WSJ conclui que caberá ao próximo Senado brasileiro zelar pela integridade e independência do Judiciário.
Por fim, o editorial traça um paralelo com países que, segundo o jornal, transitam da liberdade para a autocracia quando um demagogo vence as urnas, apropria o Judiciário e prende opositores, e questiona se as instituições brasileiras conseguirão resistir a esse cenário.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
