O Museu Nacional, em São Cristóvão, incorporou ao seu acervo a indumentária pessoal da ialorixá Mãe Bernadete, líder da Comunidade Quilombola de Pitanga de Palmares, em doação feita pelo seu filho, o professor Jurandy Pacífico dos Santos, durante a terceira edição do Diálogos da Reconstrução, realizada na última semana.

A peça doada trata‑se de um vestido branco com detalhes em azul, considerado pelos membros da comunidade como símbolo de ancestralidade e memória. A escolha da roupa foi feita por Jurandy após ser abordado por representantes do museu, que lhe propuseram a possibilidade de integrar o objeto ao acervo da instituição.

Mãe Bernadete, ialorixá e defensora dos direitos humanos, foi assassinada em 17 de agosto de 2023 no Quilombo Pitanga de Palmares, em Simões Filho, Bahia. Na ocasião, oito homens invadiram a casa onde ela estava com netos e efetuaram 25 disparos, a maioria no rosto da líder. A promotoria vinculou o crime à sua atuação contra a expansão do tráfico de drogas na comunidade. Desde 2017, Mãe Bernadete integrava o programa de proteção a vítimas de violência, após a morte de seu filho, Binho do Quilombo, em 2017.

Em entrevista, Jurandy Pacífico dos Santos ressaltou que a doação vai além da entrega de um objeto material. “Não se trata apenas de uma roupa; é ancestralidade, é a história de uma mulher que dedicou 72 anos à defesa dos direitos humanos, dos quilombos e do território”, afirmou. Ele acrescentou que a presença da indumentária no Museu Nacional fortalece a cultura afro‑brasileira e representa um reconhecimento institucional que historicamente lhe foi negado.

O Museu Nacional divulgou que a iniciativa faz parte da proposta de reconhecer e preservar as memórias, os saberes e as práticas das comunidades quilombolas como patrimônios vivos, ampliando as possibilidades de representação dessas histórias na instituição.

Thais Mayumi Pinheiro, diretora de Integração Museu e Sociedade, destacou a importância de ouvir as lideranças quilombolas para compreender como desejam ser representadas no museu, reforçando o compromisso da instituição com a construção de um espaço plural e democrático.

Caio Gonçalves Dias, gestor das novas exposições do Projeto Museu Nacional Vive, explicou que quando mestres ceramistas ou tecelãs quilombolas compartilham seus ofícios, transmitem uma forma de conhecer o mundo. “O papel do museu é criar condições para que esses saberes sejam reconhecidos, respeitados e apresentados conforme as próprias comunidades entendem”, completou.

A terceira edição do Diálogos da Reconstrução, organizada pelo Museu Nacional em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, o Projeto Museu Nacional Vive, a UNESCO e o Instituto Cultural Vale, teve como tema “Memórias, Saberes e Patrimônios Quilombolas”. O evento, transmitido ao vivo pelo canal oficial do museu no YouTube, reuniu lideranças quilombolas de diferentes regiões para discutir a preservação da memória, a produção cultural e a transmissão de conhecimentos, contribuindo para a construção de um museu mais inclusivo.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Agência Brasil. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.