O Ibovespa registrou queda de 18,12 % nesta semana, seu pior desempenho desde março de 2020, enquanto o dólar avançou 9,04 % – a maior alta semanal desde outubro de 2008 – após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, concluída no domingo, 25.

O principal índice da Bolsa brasileira encerrou a sexta‑feira, 30 de outubro, em 167.921,80 pontos, recuando 0,75 % e completando cinco pregões consecutivos de desvalorização. Na segunda‑feira, 26, primeiro dia útil após a eleição, o Ibovespa despencou 13,88 %, a maior queda diária desde a crise sanitária de março de 2020, o que levou a B3 a acionar o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações. O mercado perdeu cerca de R$ 734 bilhões nesse dia. Ao longo dos cinco pregões, o índice recuou aproximadamente 37,2 mil pontos.

Desde o recorde de fechamento de 9 de outubro, quando chegou a 209.066,90 pontos, o Ibovespa acumula perda de cerca de 41 mil pontos. O ganho acumulado no ano, que havia se aproximado de 30 %, recuou para aproximadamente 4 %. A queda de 18,12 % coloca a semana entre as cinco maiores quedas do Ibovespa desde o início do Plano Real, em julho de 1994, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta com dados da B3. As quedas maiores ocorreram em outubro de 1997 (22,17 %), outubro de 2008 (20,01 %) e março de 2020 (18,88 %). O recuo desta semana iguala, com duas casas decimais, a desvalorização registrada na semana dos atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos.

O dólar comercial fechou a sexta‑feira a R$ 5,444, alta de 1,05 % no dia. Na semana posterior à reeleição, a moeda americana acumulou valorização de 9,04 % frente ao real, atingindo o maior avanço semanal desde a crise financeira internacional de 2008 e o maior valor de fechamento de 2026. Durante o pregão, o câmbio oscilou entre R$ 5,387 e R$ 5,462, e o mês de outubro registrou alta de aproximadamente 5,2 %. Na segunda‑feira, 26, o dólar chegou a ultrapassar R$ 5,60 nas negociações e encerrou com alta de 8,21 % a R$ 5,403, a maior valorização diária da moeda desde janeiro de 1999.

A reação negativa do mercado reflete preocupação com os rumos da política econômica no próximo mandato de Lula. Parte dos investidores esperava uma alternância de poder e mudanças na condução das contas públicas; a vitória do petista reverteu essas expectativas, elevando a percepção de risco fiscal. Além do cenário interno, fatores externos – decisões sobre juros nos Estados Unidos e na Europa, conflitos geopolíticos, desempenho das empresas e sinais de desaceleração nas principais economias – também contribuíram para a volatilidade.

No Brasil, o mercado acompanha a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, prevista para a semana que vem, com a taxa Selic mantida em 13,75 % ao ano. Um levantamento divulgado pela B3 na quinta‑feira, 29, com base nos contratos negociados, apontou 63,1 % de probabilidade de manutenção da taxa nesse patamar e 28 % de chance de redução para 13,50 %, indicando cautela dos investidores diante das incertezas sobre a política monetária e a trajetória fiscal do país.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.