O Ibovespa encerrou a sessão desta terça‑feira (3) em baixa de 1,42%, aos 165.528,92 pontos, registrando o sexto pregão consecutivo de queda e o nível mais baixo desde janeiro. A desvalorização ocorreu em meio a dúvidas sobre a composição da equipe econômica do novo governo Lula e sobre a condução da política fiscal a partir de 2027, fatores que têm mantido o índice em trajetória negativa.
Na sessão, a queda do preço do petróleo trouxe pressão adicional para as ações da Petrobras, que recuaram quase 4%. O volume financeiro negociado chegou a R$ 32 bilhões. Com os sucessivos tombos, o Ibovespa caminha para zerar os ganhos acumulados no ano; após ter registrado valorização próxima a 30% no início de 2026, o índice apresenta alta de 2,73% no período.
A queda está distribuída entre os setores. O índice de consumo (ICON) acumula desvalorização de 21,9% no ano, o de imobiliário (IMOB) recua 22,2%, o de small caps (SMLL) perde 19,8% e o financeiro (IFNC), que reúne as maiores empresas da bolsa, tem queda acumulada de 6,66%.
Profissionais de mercado apontam que a falta de soluções credíveis para conter o aumento do endividamento público pode obrigar a taxa de juros a permanecer em patamares elevados, a fim de evitar nova alta da inflação. Na véspera da decisão do Banco Central sobre a taxa Selic, diversas corretoras já revisaram seus cenários, passando a prever a manutenção da Selic em 13,75% ao ano, em vez de um recorte de 0,25 ponto percentual, e enxergam menos espaço para a continuidade do ciclo de calibração.
“Vamos continuar vendo o mercado assim enquanto não houver nenhum aceno claro em relação ao cenário fiscal. O governo não está trazendo absolutamente nada novo nessa linha e não há nome certo para o Ministério da Fazenda”, afirmou Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos. O investidor ainda destacou o ruído gerado no mercado pela proposta apresentada por André Lara Resende, coautor do Plano Real, que sugere redução gradual da taxa básica de juros e um novo desenho do regime fiscal e monetário.
Glauber Sá, fundador da Akros Consultoria, comentou que o Comitê de Política Monetária (Copom) decidirá a Selic nesta quarta‑feira e que as opções negociadas na B3 indicavam 68,8% de probabilidade de manutenção da taxa. “As razões citadas pelos bancos são a incerteza fiscal, o câmbio, o petróleo e a piora das expectativas de inflação. A proposta de Lara Resende pode somar uma camada a esse quadro”, disse. Segundo Sá, um eventual corte agora “poderia ser lido como sinal de flexibilidade justamente quando o comitê precisa reforçar credibilidade”, sobretudo diante do debate sobre um plano de corte acelerado na circulação de moeda e da autonomia do Banco Central.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Tribuna do Norte. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
