O governo dos Estados Unidos não pretende apoiar a reivindicação de Flávio Bolsonaro (PL) de ser o legítimo líder do Brasil, embora tenha facilitado a entrada do senador e de sua família no país. Fontes anônimas que acompanharam o caso afirmaram que o presidente Donald Trump não tem planos atuais de apoiar as ambições políticas de Bolsonaro, embora o posicionamento possa mudar.
Na segunda‑feira (26), Trump declarou que a eleição brasileira parecia ter sido “fraudada”, mas ressaltou não ter apoiado nenhum candidato. Na mesma ocasião, afirmou manter boa relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no segundo turno com vantagem de 3,5 pontos percentuais.
A avaliação dos EUA ocorreu após Flávio Bolsonaro deixar o Brasil e chegar a Miami, na quarta‑feira (28). O senador viajou acompanhado da esposa e das duas filhas, passando pela Argentina e pelo Equador. A saída foi decidida às pressas após determinação de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) para que entregasse o passaporte, em cumprimento a pedido da Polícia Federal que investiga o parlamentar por suspeitas de dois esquemas de lavagem de dinheiro.
Durante a viagem, Flávio entrou em contato com autoridades americanas para tratar de sua chegada. Jason Miller, assessor próximo à família Bolsonaro e ligado ao governo Trump, ajudou a organizar um voo fretado na Argentina. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, recomendou que o senador fosse admitido no território americano. As autoridades americanas concederam ao senador e à família uma autorização humanitária na fronteira, modalidade temporária de entrada que pode ser aplicada em situações de urgência humanitária ou de interesse público significativo.
Na rede social X, Flávio Bolsonaro publicou, na quarta‑feira (28), a mensagem “presidente eleito”. A publicação foi apagada e substituída por outra em que se autodenominava o legítimo “líder” do Brasil.
A partida do senador gerou críticas entre integrantes da oposição conservadora brasileira. Um terceiro funcionário americano ouvido pela imprensa afirmou que a influência política de Flávio diminuiu após a decisão de deixar o país. Autoridades brasileiras avaliaram que a saída pode beneficiar o presidente Lula, ao enfraquecer a oposição conservadora no Congresso.
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