O pedido de renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, não foi votado nesta quinta‑feira (5) depois que parlamentares governistas deixaram o plenário do Congresso, provocando a perda do quórum necessário para a continuidade dos trabalhos.

A sessão extraordinária reunia deputados e senadores para decidir se aceitariam a renúncia apresentada por Peña poucas horas antes, em meio à crise política e financeira desencadeada pela quebra do Ueno Bank. Após a saída dos parlamentares do Partido Colorado, a secretaria do Congresso realizou a contagem dos presentes e constatou que a Câmara dos Deputados não contava mais com os 41 parlamentares exigidos para manter o quórum. Sem o número mínimo, a sessão foi encerrada sem que fosse tomada decisão sobre a saída do presidente.

Na mesma noite, o Senado deu início à sessão destinada a analisar o processo de impeachment contra Peña, já aprovado pela Câmara dos Deputados. Na votação da Câmara, os 78 parlamentares presentes aprovaram por unanimidade a abertura do impeachment, que agora segue para julgamento no Senado, onde são necessários, no mínimo, 30 votos favoráveis dos 45 senadores para destituir o mandatário.

A situação gerou divisão dentro do Partido Colorado. Parte dos parlamentares defende a aceitação da renúncia para acelerar a saída de Peña e permitir a posse do vice‑presidente Pedro Alliana, argumentando que a medida evitaria a prolongação da crise institucional. Outros integrantes, inclusive da oposição, preferem que o presidente seja destituído pelo Senado, alegando que a aceitação da renúncia garantiria a Peña imunidades previstas na Constituição para ex‑presidentes eleitos democraticamente, como a cadeira vitalícia no Senado com direito a voz, mas sem voto. Segundo esses parlamentares, a imunidade poderia dificultar eventuais processos criminais relacionados ao escândalo do Ueno Bank.

A própria oposição sustenta que a renúncia, se aceita, impediria a responsabilização penal de Peña, enquanto os governistas afirmam que a aceitação evitaria um prolongamento da instabilidade política. A divergência também reflete a disputa sobre as consequências jurídicas de cada caminho.

Peña anunciou sua saída nesta quinta‑feira após perder apoio dentro do próprio Partido Colorado, incluindo o ex‑presidente Horacio Cartes, que passou a defender o impeachment. O mandatário tem sido alvo de questionamentos por suas antigas relações comerciais com o grupo controlador do Ueno Bank, instituição que entrou em processo de resolução determinado pelo Banco Central do Paraguai, deixando milhões de clientes sem acesso às contas.

Com a votação interrompida, a situação política de Peña e do país permanece indefinida. De acordo com a Constituição paraguaia, a renúncia de um presidente só produz efeitos após ser aceita pelo Congresso. Como a análise do pedido não foi concluída, Peña continua oficialmente no cargo, apesar de ter anunciado sua saída. Consequentemente, o vice‑presidente Pedro Alliana ainda não pode assumir definitivamente a presidência, aguardando a formalização da saída de Peña, seja pela aceitação da renúncia ou por eventual destituição no Senado.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.