O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), reeleito com 71 % dos votos no primeiro turno, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve buscar o equilíbrio fiscal por meio da eliminação de privilégios e desperdícios, sem reduzir investimentos em programas sociais. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o petista destacou que as propostas econômicas anunciadas durante a campanha são compatíveis com o orçamento e podem ser implementadas ao longo dos quatro anos do próximo mandato.
Fonteles, que participou da coordenação da campanha presidencial no segundo turno e foi um dos articuladores da virada eleitoral contra Flávio Bolsonaro (PL), foi citado como possível nome para o Ministério da Fazenda no quarto mandato de Lula. Apesar das especulações, o governador declarou que não manteve conversas com o presidente sobre cargos ou responsabilidades na equipe econômica.
“Estou preparado para tomar posse, ser diplomado. Vou tomar posse, vou querer fazer um governo muito melhor do que o primeiro que eu fiz”, disse Fonteles, reforçando a intenção de cumprir o novo mandato estadual e superar os resultados da primeira gestão.
O governador negou ter recebido convite de Lula para integrar a equipe econômica ou participar de discussões sobre a política fiscal do próximo governo. “Eu não conversei nada com o presidente sobre cargo e não falei sobre qualquer coisa relacionada à política econômica. Nunca aconteceu na história de um governador recém‑eleito ser chamado para qualquer missão”, afirmou.
Ao analisar os desafios da economia nacional, Fonteles ressaltou a necessidade de uma trajetória sustentável da dívida pública para possibilitar a redução dos juros e estimular o crescimento. Preferiu o termo “equilíbrio fiscal” a “ajuste fiscal”, argumentando que há diferentes caminhos para alcançar o objetivo, entre eles a redução de privilégios e desperdícios na administração pública, sem prejuízo a programas sociais já consolidados.
“Isso envolve corte de privilégios e de desperdício e não vai envolver, com o presidente Lula, qualquer prejuízo social, qualquer corte em programas sociais que ele já constituiu e com que se comprometeu novamente na campanha eleitoral”, declarou.
O governador também defendeu a viabilidade das propostas apresentadas por Lula na campanha, como o Pé‑de‑Meia Universitário, a tarifa zero nos fins de semana e o programa Prospera MEI. Segundo ele, as iniciativas foram discutidas previamente com a equipe econômica e planejadas dentro das possibilidades orçamentárias do governo federal. “Tudo que foi proposto foi conversado com a equipe econômica, o presidente sempre tomou essa iniciativa. Não foi nada de supetão”, explicou, acrescentando que os projetos contam com a participação dos ministros responsáveis pela área econômica e podem ser executados dentro do arcabouço fiscal ao longo dos quatro anos de mandato.
Em relação ao senador Flávio Bolsonaro, Fonteles criticou a saída do parlamentar do Brasil e a divulgação de uma carta na qual o senador se autodeclarou presidente eleito. Para o governador, a iniciativa não gera efeitos concretos, mas não indica enfraquecimento do movimento bolsonarista, que, segundo ele, continua politicamente forte.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de 98 FM. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
