Na quinta‑feira, 5 de novembro, o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) participou da conferência conservadora CPAC, realizada na residência de Mar‑a‑Lago, na Flórida, enquanto no Brasil a Operação Zero Álcool registrou 653 prisões por embriaguez ao volante, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alterou o entendimento sobre fraudes à cota de gênero e o Banco Central divulgou forte alta na inadimplência de crédito entre a população de alta renda.

A organização da CPAC confirmou a presença de Flávio Bolsonaro e do ex‑deputado Eduardo Bolsonaro no evento, mas não divulgou os horários nem os temas das apresentações. O senador chegou aos Estados Unidos em 28 de outubro, após passagem pela Argentina e Equador, entrando no país com autorização de “humanitarian parole”, que permite permanência por um ano. A imprensa americana informou que o governo de Donald Trump poderia acelerar a concessão de residência permanente (green card) ao senador e aos familiares. Em entrevista, Trump afirmou que Flávio pode permanecer nos Estados Unidos “quanto tempo quiser”, mas declarou não ter tomado partido na eleição brasileira e que não pretende apoiar o senador. Aliados do secretário de Estado Marco Rubio foram apontados como responsáveis pela articulação da viagem, mas o diplomata negou qualquer participação.

A Operação Zero Álcool, coordenada pelo Comando de Policiamento Rodoviário Estadual (CPRE), contabilizou 653 detenções por condução sob efeito de álcool entre 1º de janeiro e 3 de novembro de 2026, representando aumento de 33,8 % em relação ao total registrado em todo o ano de 2025. O número registrado até a data supera a soma de todas as prisões do ano anterior. Extremoz liderou as ocorrências com 191 prisões, seguida por Macaíba (92) e Natal (74); os três municípios concentram 357 casos, mais da metade do total estadual. Desde o início da série histórica, em 2016, o registro de prisões havia diminuído até 2019, quando foram 25, mas voltou a crescer a partir de 2022, com 253 casos naquele ano, 477 em 2023, 349 em 2024 e 488 em 2025. A prisão por embriaguez ao volante ocorre quando o bafômetro indica concentração igual ou superior a 0,33 mg de álcool por litro de ar expirado, já descontado o ajuste do equipamento.

Em decisão proferida na mesma quinta‑feira, o TSE modificou o entendimento sobre fraudes à cota de gênero nas eleições proporcionais. A Corte passou a admitir que mulheres eleitas em chapas que apresentaram candidaturas fictícias para cumprir a cota mínima de 30 % podem manter seus mandatos, desde que não tenham participado da irregularidade. O novo entendimento preserva o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP), os votos de legenda e os votos nominais das mulheres não envolvidas, enquanto os votos dos candidatos homens e das candidaturas fictícias são convertidos em votos de legenda, sem alterar os quocientes eleitoral e partidário. O caso que motivou a mudança envolveu o Podemos no Amapá, nas eleições de 2022, onde o Ministério Público Eleitoral (MPE) apontou três candidatas fictícias criadas para atender à cota de gênero. Uma delas não recebeu nenhum voto. O relator, ministro André Mendonça, reconheceu a fraude e defendeu a cassação dos mandatos dos homens eleitos pelo partido, mas preservou o mandato da deputada estadual Zeneide Costa, que, segundo o relator, não participou da irregularidade. A maioria dos ministros acompanhou o voto, estabelecendo o novo entendimento, que será aplicado caso a caso nas eleições para deputado federal, deputado estadual e vereador.

Dados do Sistema de Informações de Créditos (SCR), divulgados pelo Banco Central, mostraram que a inadimplência em operações de crédito avançou quase 40 % entre brasileiros de alta renda entre agosto de 2025 e agosto de 2026. Na faixa de renda de 10 a 20 salários mínimos, a taxa subiu de 4,59 % para 6,37 % (aumento de 38,8 %). Entre quem recebe acima de 20 salários mínimos, a taxa passou de 5,53 % para 7,51 % (aumento de 35,8 %). O indicador considera operações com parcelas atrasadas há mais de 90 dias, medindo a participação dos créditos em atraso no total da carteira. No segmento de cartões de crédito, a alta foi ainda mais acentuada: a taxa de inadimplência subiu de 4,37 % para 6,56 % entre quem ganha de 10 a 20 salários mínimos (aumento de 50,1 %) e de 2,87 % para 4,01 % entre a faixa superior a 20 salários mínimos (aumento de 39,7 %). O crescimento ocorre em um contexto de juros elevados; em setembro, a taxa média do rotativo do cartão chegou a 451,7 % ao ano (15,29 % ao mês), enquanto o juros do parcelamento da fatura alcançou 193 % ao ano (9,37 % ao mês).

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