Senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) divulgou nesta quarta‑feira duas versões de uma carta em que contesta o resultado da eleição presidencial de 2022 e afirma, sem apresentar provas, que houve fraude na votação. Na primeira redação, o parlamentar se apresentou como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”; na segunda, substituiu a expressão por “líder do Brasil”. Em ambas as versões, o senador questiona a legitimidade do processo eleitoral e anuncia que pretende comandar a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a partir dos Estados Unidos.
A carta foi publicada três dias após o segundo turno e poucas horas depois de Flávio Bolsonaro desembarcar em Miami, na Flórida, acompanhado da esposa e das duas filhas. O senador deixou Brasília na terça‑feira, 27, seguiu até a fronteira com a Argentina e atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú (Argentina), às 22h50. Quarenta minutos depois, às 23h30, embarcou em um voo privado operado pela empresa Baires Fly S.A., com destino a Guayaquil, no Equador. O avião, um Gulfstream G400 de matrícula LV‑JQW, fez escala no Equador antes de seguir para Miami, onde o senador chegou na manhã de 28 de outubro.
A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinar o recolhimento do passaporte de Flávio Bolsonaro. O senador afirmou que não havia mandado de prisão expedido contra ele quando deixou o país, mas reconheceu a possibilidade de sofrer novas medidas judiciais, como tornozeleira eletrônica, prisão domiciliar ou eventual condenação.
Na abertura da primeira versão da carta, Flávio escreveu: “Dirijo‑me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Na segunda, o trecho foi alterado para: “Dirijo‑me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o líder do Brasil”. Em outra passagem, a redação original continha a frase: “Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil… eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania”. Na versão posterior, a referência a si mesmo como presidente eleito foi removida.
Flávio Bolsonaro retomou argumentos já apresentados logo após a confirmação da vitória de Lula, no domingo, 25. Na ocasião, o senador declarou que não reconheceria o resultado e anunciou a intenção de solicitar a anulação da votação. Ele atribuiu a derrota a supostas irregularidades, citando a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que autorizou a extensão do horário de votação até as 19h em seções que permaneciam abertas. Na carta, o parlamentar afirmou ter “visto estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos” e acusou o governo petista de abuso de poder político e econômico, defendendo a cassação da chapa adversária.
A alegação de que fiscais do PL foram expulsos do Tribunal Superior Eleitoral durante a votação, feita por Flávio no domingo, foi desmentida pela Justiça Eleitoral. A vitória de Lula foi reconhecida pelo Congresso Nacional, pelo TSE e por representantes da comunidade internacional. O próprio Partido Liberal reconheceu oficialmente o resultado em nota assinada por seu presidente, Valdemar Costa Neto.
Ao justificar a saída do país, o senador escreveu que não pretendia “fugir do Brasil”, mas que sua permanência nos Estados Unidos permitiria maior liberdade de atuação política. “Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança”, declarou.
Flávio Bolsonaro agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Argentina, Javier Milei, pelo apoio recebido durante a saída do Brasil, afirmando: “Antes de mais nada, queria agradecer ao presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher”.
Na carta, o senador indicou que continuará articulando parlamentares, governadores e demais aliados, com atenção especial à reorganização da oposição após a derrota presidencial. Entre os destinatários está o senador Rogério Marinho (PL‑RN), apontado como candidato à presidência do Senado. Flávio escreveu: “Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”.
O documento encerra com a promessa de manter contato frequente com os apoiadores e apresentar um plano de mobilização política: “Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos”.
A empresa Baires Fly, responsável pela operação do voo privado, está sob investigação judicial na Argentina por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a Agência Nacional de Deficiência (Andis). O empresário Sergio Mastropietro, ligado à companhia aérea, figura entre os investigados. O escândalo, revelado em 2025, apontou supostos desvios de recursos destinados a medicamentos e insumos médicos, resultando na demissão do então diretor da Andis, Diego Spagnuolo.
O Gulfstream G400 utilizado na viagem foi fabricado em 2004 e tem valor de mercado estimado entre US$ 7 milhões e US$ 9 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 37,3 milhões a R$ 48,1 milhões.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Agora RN. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
