Na manhã da quarta‑feira (28), o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) chegou a Miami, na Flórida, e divulgou duas versões de um documento dirigido ao povo brasileiro e à comunidade internacional. Na primeira, o parlamentar se autodenominou “verdadeiro presidente eleito” do Brasil; na segunda, substituiu a expressão por “líder do Brasil”. Ambas as versões alegam, sem apresentar provas, a existência de fraude nas urnas que o derrotaram por 4,4 milhões de votos para Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.

O texto, publicado três dias após a derrota, contém trechos que reforçam a narrativa de fraude e denunciam o governo de Lula por suposto abuso de poder político e econômico durante a campanha. O senador afirma ter presenciado, na noite de domingo, “uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos” e questiona a prorrogação do horário de votação até as 19h, decisão tomada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin, a pedido do PT. Em declaração à imprensa no domingo, Flávio Bolsonaro afirmou que não aceitaria o resultado e que buscaria a anulação do pleito.

A saída do país ocorreu na terça‑feira (27). O senador deixou Brasília, dirigiu‑se à fronteira com a Argentina e embarcou em avião particular com destino ao Equador, de onde prosseguiu para os Estados Unidos. O deslocamento aconteceu em meio à ofensiva judicial de sua campanha para contestar o resultado das eleições e após ordem do ministro Alexandre de Moraes para o recolhimento de seu passaporte. Em território americano, Flávio Bolsonaro afirmou que permanecerá no exterior para exercer atividade política sem risco de prisão.

No documento, o senador agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo acolhimento recebido. Ele anunciou que comandará a oposição ao governo petista a partir dos Estados Unidos, onde está com a família, e prometeu apresentar nos próximos dias uma estratégia de mobilização de seus apoiadores.

Ao justificar a saída, Flávio Bolsonaro mencionou a possibilidade de apreensão de passaporte, uso de tornozeleira eletrônica, prisão domiciliar e eventual condenação, mas ressaltou que não havia mandado de prisão expedido contra ele. “Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado”, escreveu. Em seguida, rejeitou a classificação de sua partida como fuga, afirmando: “Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece”.

O senador também dirigiu mensagem a parlamentares e governadores aliados, citando especificamente o senador Rogério Marinho (PL‑RN) como seu candidato à Presidência do Senado. “Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, declarou, em meio às discussões internas da direita sobre a reorganização da oposição após a derrota eleitoral.

Flávio Bolsonaro comparou sua situação a de lideranças que atuaram no exílio, como o ex‑presidente francês Charles de Gaulle, o jurista brasileiro Rui Barbosa e os opositores venezuelanos Juan Guaidó e Edmundo González, buscando enquadrar sua saída como parte de uma estratégia de resistência política. Ao final do documento, prometeu manter comunicação frequente com seus eleitores e anunciar, em breve, a estratégia de atuação política a partir dos Estados Unidos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao ser questionado sobre a declaração do senador, respondeu que não faria comentários sobre a turbulência pós‑eleitoral no Brasil, mas reconheceu que o país concedeu permissão para a entrada de Flávio Bolsonaro. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que entende a indignação do senador, mas ressaltou que a eleição acabou, que é preciso respeitar o resultado das urnas e seguir em frente. Já o secretário‑geral do Partido Liberal, senador Rogério Marinho, confirmou ter tido uma breve conversa com Flávio Bolsonaro, oferecendo solidariedade a ele e à sua família, e disse que retomará o diálogo na quinta‑feira (29) para alinhar a oposição ao governo Lula no mandato 2027‑2030, embora ainda não tenha sido definido como se dará a atuação do senador a partir do exterior.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Tribuna do Norte. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.